Os alimentos orgânicos têm ganhado cada vez mais espaço nas prateleiras dos mercados e no prato dos consumidores.
Diferente dos produtos convencionais, eles são cultivados sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes químicos ou hormônios artificiais, respeitando o ciclo de desenvolvimento e crescimento natural de cada planta.
A produção também segue práticas sustentáveis, priorizando o equilíbrio do solo e seu ciclo natural. Mas será que vale mesmo pagar mais caro por esses alimentos?
Para os especialistas ouvidos pela reportagem da CNN, os principais benefícios dos alimentos orgânicos estão na ausência de resíduos químicos e no impacto ambiental reduzido. Além disso, o cultivo orgânico tende a preservar melhor os nutrientes de frutas, legumes e verduras, já que o solo é tratado de maneira natural e sem processos químicos agressivos.
“Os alimentos orgânicos possuem menos toxinas para o nosso organismo. Os agrotóxicos estão ligados a problemas hormonais, neurológicos e alguns ativos estão relacionados até a alguns tipos de câncer. Outra questão é a nutrição, já que esses alimentos têm maior valor nutricional do que os tradicionais”, explica Wandyk Alisson, nutrólogo.
“Tem também a questão da sustentabilidade, porque a produção dos orgânicos respeita o meio ambiente, preserva solo e reduz contaminação de água”, acrescenta o nutrólogo.
Segundo Alisson, os alimentos que mais absorvem os agrotóxicos e, consequentemente, ficam mais contaminados são: morango, maçã, uva, pimentão e tomate. Na sequência, vêm as folhas, como a alface.
No entanto, o preço elevado, quando comparado aos alimentos tradicionais, ainda é um fator que pesa na escolha pelos orgânicos. Os custos de produção são mais altos, já que não há uso de fertilizantes industriais e o processo exige mais mão de obra.
A baixa oferta também contribui para que os preços sejam mais altos quando comparados aos tradicionais.
Para quem não tem acesso fácil a esses alimentos orgânicos ou não pode pagar por eles, algumas estratégias podem ajudar a minimizar a exposição a resíduos químicos presentes nos alimentos cultivados de maneira tradicional.
Lavar bem frutas e verduras, descascar sempre que possível e dar preferência aos alimentos da estação, que costumam ter menos interferência química, são algumas medidas recomendadas.
“Uma boa prática é lavar bem as frutas, as verduras e legumes com água corrente e, se possível, deixar de molho em uma solução de bicarbonato de sódio ou vinagre para remover parte dos resíduos de agrotóxicos. Também é importante variar a alimentação, consumindo produtos de diferentes fontes para evitar exposição repetitiva ao mesmo tipo de resíduo químico”, acrescenta Letícia Vieira, nutricionista.
Outra dica é optar por alimentos da época, pois eles costumam precisar de menos defensivos para crescer e, muitas vezes, são mais acessíveis. Além disso, apoiar produtores locais que praticam uma agricultura mais sustentável pode ser uma alternativa viável e saudável.