O senador e pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fez um novo pronunciamente sobre as negociações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. No comunicado, ele nega qualquer “doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política” no seu relacionamento com o ex-dono do Banco Master.

Na quarta-feira (13), o Intercept Brasil revelou que Flávio teria negociado cerca de R$ 134 milhões em repasse com o ex-dono do Banco Master para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Documentos mostram que pelo menos US$ 10,6 milhões, cerca de R$ 61 milhões, foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis transferências bancárias para financiar o projeto.

No mesmo dia em que a matéria foi publicada, Flávio divulgou uma primeira nota defendendo que o envolvimento dele nas negociações com Vorcaro foi no papel de “um filho procurando patrocínio privado para um filme privado sobre a história do próprio pai”.

No novo pronunciamento, o parlamentar explica que Vorcaro “fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra” e endossa que o irmão Eduardo Bolsonaro não recebeu dinheiro do ex-banqueiro. “Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos“, diz a nota.

No comunicado, Flávio também conta a sua versão cronológica do relacionamento com Vorcaro: “A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano”.

Segundo o senador, a partir do momento que os pagamentos deixaram de ser honrados, as relações entre ele e Vorcaro terminaram. “Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.”

Confira a nota na íntegra:

É preciso restabelecer os fatos e separar investigação séria de tentativa de contaminação política.

Minha participação no projeto do filme sobre o presidente Jair Bolsonaro limitou-se à busca de investimento privado para uma obra cultural privada, produzida nos Estados Unidos, sem recurso público, sem Lei Rouanet, sem Embratur, sem prefeitura e sem qualquer contrapartida ligada ao meu mandato.

Me relacionei com Daniel Vorcaro estritamente no papel de um filho que buscava patrocínio de um empresário para o filme em homenagem ao pai. Não houve doação, favor, empréstimo pessoal, camaradagem ou vantagem política. Ele fez um investimento que previa retorno financeiro conforme o desempenho comercial da obra. Também é falsa a insinuação de que recursos tenham sido destinados a Eduardo Bolsonaro: os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos.

A linha do tempo é decisiva. O contato ocorreu em 2024 quando os fatos hoje atribuídos a Vorcaro não eram conhecidos publicamente. À época, ele circulava normalmente no mercado, patrocinava eventos, programas de TV e iniciativas empresariais, inclusive evento empresarial em Nova York, promovido por um grande grupo de comunicação braseiro, em maio de 2024, no qual foi apresentado ao mercado americano.

É nesse contexto que buscamos o investimento no filme.

Quando os aportes deixaram de ser cumpridos e as acusações vieram a público, a relação foi encerrada e outros investidores foram buscados.

Não vou aceitar que nos misturem com os bandidos do PT. As relações são completamente distintas. Não houve reunião fora de agenda com presidente da República, pagamento a ex-ministro por acesso ao governo, contrato milionário com o ministro da justiça, que é o chefe da PF, nem houve qualquer promessa de favorecimento ao banqueiro.

Tentar colocar todos na mesma vala é uma distorção política inaceitável.

Por isso, defendo que todos os fatos sejam investigados com rigor e transparência. Por isso, exigimos a CPI do Master já.



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