
Israel e Líbano estenderam o cessar-fogo por mais 45 dias, afirmou o Departamento de Estado dos EUA nesta sexta-feira, 15, às vésperas do fim da trégua. O anúncio ocorre em meio a negociações das delegações israelense e libanesa em Washington. Representantes dos dois países haviam se reunido pela última vez em 23 de abril, também na capital americana. Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comunicou uma prorrogação de três semanas na pausa das hostilidades, período que chegaria ao fim neste domingo.
O porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, também disse que a “via política das negociações” será retomada em junho, ao passo que “uma rodada de negociações sobre segurança será iniciada no Pentágono em 29 de maio, com delegações militares de ambos os países”.
O Líbano foi arrastado para o conflito no Oriente Médio em 2 de março, quando o Hezbollah, aliado de Teerã, lançou ataques contra Israel em resposta aos bombardeios conjuntos de israelenses e americanos contra o Irã, que desencadearam a guerra em 28 de fevereiro. Desde então, cerca de 2.900 pessoas morreram no país.
+ Ataques israelenses mataram 380 durante cessar-fogo, diz Líbano
Guerra de versões
Embora o acordo tenha interrompido parte significativa dos confrontos diretos, bombardeios continuam sendo registrados, sobretudo no sul libanês. Na terça-feira 12, o governo do Líbano informou que ataques israelenses deixaram ao menos 380 mortos, incluindo 22 crianças, desde a implementação do cessar-fogo, em 16 de abril. Entre eles, estão Manal Jaafar e Ali Ghassan Nader, de 11 anos, ambos brasileiros. Os dois foram mortos junto ao pai do menino, o libanês Ghassan Nader, por um bombardeio de Israel em 26 de abril.
Israel estabeleceu uma “zona de segurança” que avança 10 quilômetros adentro do território libanês, alegando necessidade de proteger suas comunidades no norte israelense contra ataques do Hezbollah. Uma série de ataques israelenses foram lançados na quarta-feira 11 contra quase 30 áreas no Líbano, que deixaram ao menos 22 mortos, segundo o Ministério da Saúde do país.
Pelos termos do cessar-fogo, Israel preservou o direito de agir contra ataques classificados como “planejados, iminentes ou em andamento”. O governo israelense acusa o Hezbollah de descumprir reiteradamente o pacto ao manter atividade militar próxima à fronteira. Do outro lado, autoridades libanesas afirmam que Tel Aviv tem usado a cláusula como justificativa para uma campanha previamente calculada.