A diretoria colegiada da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) deve julgar nesta sexta-feira (15) o recurso apresentado pela Ypê sobre a resolução da agência que suspendeu a fabricação, comercialização e distribuição dos produtos da marca.
Em comunicado, a Anvisa afirma que, durante a inspeção conjunta realizada em abril deste ano, pela agência, pelo Centro de Vigilância Sanitária do estado de São Paulo e pela Vigilância Municipal de Amparo (SP), foram detectadas 76 irregularidades na empresa e mais de 100 lotes de produtos comprometidos.
Segundo a Anvisa, a Unilever denunciou a contaminação microbiológica em produtos da Ypê à autoridade sanitária em outubro de 2025 e março de 2026, dando origem a investigação contra produtos da marca. Segundo o órgão, a Unilever não solicitou anonimato na denúncia.
De acordo com a agência, após a denúncia feita pela Unilever, foi “feita uma avaliação técnica, que leva em consideração possíveis provas materiais, seguida de demais ações de vigilância.”
Em nota, a Ypê afirma que solicitou à Diretoria Colegiada da Anvisa a manutenção dos efeitos do recurso que suspendeu a RE 1.834/2026 até a conclusão da análise de toda a documentação apresentada, prevista para ocorrer nesta sexta-feira.
“A Ypê segue trabalhando em conjunto com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para encontrar uma solução definitiva para a suspensão da venda, comercialização e uso de lava-roupas líquidos, lava-louças líquidos e desinfetantes com lotes de fabricação final 1, conforme previsto na RE 1.834/2026.”
“Seguimos mantendo um diálogo contínuo, técnico e colaborativo com a Anvisa”, diz a Ypê.
Julgamento
O julgamento pretende decidir se a Anvisa manteria ou não a proibição da fabricação e distribuição de lote de produtos da marca. A suspensão automática da Resolução 1.834/2026 ocorreu depois que a Ypê apresentou um recurso à Anvisa, na última sexta-feira (8).
Em coletiva nesta segunda-feira (11), o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, já havia adiantado que o caso seria avaliado com maior profundidade pela Diretoria Colegiada nesta quarta.
Segundo o ministro, os consumidores devem manter os produtos Ypê guardados em local seguro enquanto a empresa realiza o recolhimento dos lotes afetados. Ele reforçou que reservar os produtos pode ser importante tanto para o descarte correto quanto para eventual ressarcimento ao consumidor.
Entenda o caso
A Anvisa suspendeu na última quinta-feira (7) a fabricação, comercialização, distribuição e venda de produtos das categorias lava-louças, lava-louças concentrado, lava-roupas líquidos e desinfetantes da Ypê. A medida também determinou o recolhimento dos produtos afetados.
A decisão atingiu todos os lotes com numeração final 1 e foi tomada após inspeção realizada em parceria com órgãos da vigilância sanitária do estado de São Paulo e do município de Amparo, no interior paulista.
Segundo a Anvisa, a fiscalização identificou irregularidades em etapas consideradas críticas da produção, incluindo falhas nos sistemas de controle de qualidade e garantia sanitária. A agência afirmou que os problemas representam descumprimento das regras de Boas Práticas de Fabricação e podem levar à contaminação microbiológica dos produtos.
Na sexta-feira (8), a Ypê apresentou recurso administrativo contra a resolução. Com isso, a decisão da Anvisa passou a ter efeito suspensivo até análise da Diretoria Colegiada da agência.
Mesmo após obter a suspensão temporária da medida, a empresa informou que decidiu manter paralisadas as linhas de produção da fábrica de líquidos responsáveis pelos produtos envolvidos no caso.