O presidente dos EUA, Donald Trump, chegou ao Grande Salão do Povo, em Pequim, para uma reunião bilateral com seu homólogo chinês, Xi Jinping, na noite desta quarta-feira (13).
O encontro faz parte da visita de Estado de três dias do presidente americano na China. Entre os temas que devem ser abordados estão a trégua comercial entre os países, a guerra no Oriente Médio e as vendas de armas americanas para Taiwan.
Com seus índices de aprovação seriamente abalados pela guerra com o Irã, a tão aguardada viagem de Trump à China — a primeira de um presidente dos EUA ao principal rival estratégico americano desde sua última visita em 2017 — ganhou ainda mais importância.
Acompanhando-o na viagem está um grupo de CEOs, incluindo Elon Musk e Jensen Huang, CEO da Nvidia, que embarcou no Air Force One durante uma escala para reabastecimento no Alasca a caminho da capital chinesa, a pedido de Trump.
Muitos desses executivos, incluindo Huang e Musk, buscam resolver as questões com a China, e Trump afirmou que irá pedir a Xi para “abrir” a China para os negócios americanos.
Dinâmica de poder
Os encontros desta semana proporcionarão bastante tempo de interação entre os líderes: está previsto que eles realizem conversas no Grande Salão do Povo, visitem o Templo do Céu, Patrimônio Mundial da Unesco, e participem de um banquete de Estado na quinta-feira (14), antes de tomarem chá e almoçarem juntos na sexta-feira (15), de acordo com a Casa Branca.
Trump chega às negociações em uma posição desfavorável. Os tribunais dos EUA têm limitado a capacidade do presidente de impor tarifas arbitrariamente sobre as exportações da China e de outros países.
A guerra com o Irã também impulsionou a inflação nos EUA e aumentou o risco do Partido Republicano perder o controle de uma ou ambas as casas legislativas nas eleições de meio de mandato de novembro.
Embora a economia chinesa tenha apresentado dificuldades, Xi não enfrenta pressão econômica ou política comparável.
Ainda assim, ambos os lados estão ansiosos para manter a trégua comercial firmada em outubro passado, na qual Trump suspendeu as tarifas de três dígitos sobre produtos chineses e Xi recuou da ideia de restringir o fornecimento global de terras raras, vitais para a fabricação de itens que vão de carros elétricos a armas.
Espera-se também que discutam fóruns para apoiar o comércio e o investimento mútuos, bem como o diálogo sobre questões de inteligência artificial.
Washington busca vender aviões da Boeing, produtos agrícolas e energia para a China a fim de reduzir o déficit comercial que há muito incomoda Trump, enquanto Pequim quer que os EUA flexibilizem as restrições às exportações de equipamentos para fabricação de chips e semicondutores avançados, disseram autoridades envolvidas no planejamento.
Além das questões comerciais, espera-se que Trump incentive a China a convencer Teerã a fechar um acordo com Washington para pôr fim ao conflito. Mas analistas duvidam que Xi esteja disposto a pressionar Teerã ou a encerrar o apoio às suas forças armadas, dado o valor do Irã para Pequim como um contrapeso estratégico aos EUA.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse à Fox News a bordo do Air Force One que era do interesse da China ajudar a resolver a crise, já que muitos de seus navios estão presos no Golfo Pérsico e uma desaceleração da economia global prejudicaria os exportadores chineses.
Venda de armas para Taiwan
Para Xi, as vendas de armas dos EUA para Taiwan, a ilha democraticamente governada reivindicada pela China, serão uma prioridade máxima.
A China reiterou nesta quarta-feira sua forte oposição às vendas, e o status de um pacote de US$ 14 bilhões que aguarda a aprovação de Trump ainda não está claro. Os EUA são legalmente obrigados a fornecer a Taiwan os meios para se defender, apesar da falta de relações diplomáticas formais.
“Trump não tem muitas cartas na manga. Mas não acho que ele veja a situação dessa forma”, disse Ronan Fu, pesquisador assistente da Academia Sinica, o principal think tank governamental de Taiwan.
“Não acho que Trump vá simplesmente deixar Pequim pedir o que quiser e os EUA cederem a todas as exigências de Pequim”, acrescentou.
Xi tem uma visita recíproca planejada para o final deste ano, que seria sua primeira visita aos Estados Unidos desde que Trump reassumiu o cargo em 2025.
(Com informações da Reuters)