
O jornal britânico The Economist publicou um artigo nesta quinta-feira, 14, sobre os áudios em que o senador e pré-candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) pede 135 milhões de reais ao baqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, que conta a história de vida do seu pai. O artigo afirma que a candidatura presidencial do senador está “ameaçada”. Logo após os áudios virem a público, a equipe de campanha chamou uma reunião de emergência e Flávio admitiu ter feito o pedido ao banqueiro, que está preso.
“No mercado das bets, em que Flávio vinha como favorito a vencer a presidência (apostas em eleições são proibidas no Brasil, mas permitidas no Reino Unido e em outros países do mundo), ele despencou dez pontos, indo para o segundo lugar. O real brasileiro e o principal índice da Bolsa de Valores caíram 2% diante da perspectiva de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (pré-candidato à reeleição)”, diz trecho do artigo.

O texto do jornal britânico também diz que “Vorcaro se tornou radioativo” e que as justificativas apresentadas por Flávio não convenceram os seus eleitores. “A justificativa não convenceu os seus apoiadores. No Instagram, muitos bolsonaristas se mostraram indignados”, afirma outro trecho da matéria.
Áudios divulgados nesta quarta, 13, pelo site The Intercept Brasil revelam que Flávio Bolsonaro pediu um aporte milionário de dinheiro a Daniel Vorcaro. O valor não foi pago na íntegra, mas as mensagens revelam que o dinheiro enviado pelo banqueiro foram pagos por meio de um fundo nos Estados Unidos ligado a Eduardo Bolsonaro. Inicialmente, Flávio negou a existência dos pagamentos, mas no fim da quarta-feira admitiu a transação com o dono do Master, justificando que foi um “patrocínio privado” para um filme que também é “privado”.
O artigo da The Economist lembra a recente operação feita pela PF contra o senador Ciro Nogueira (PP), em um dos desdobramentos das investigações do caso Master, e compara a relação de Vorcaro com os parlamentares. “Enquanto Lula estava na Casa Branca, a polícia brasileira fez buscas em propriedades de Ciro Nogueira, um poderoso senador e ex-ministro de estado de Jair Bolsonaro. Nogueira apresentou uma emenda ao Congresso que teria ajudado os negócios do Master. Vorcaro pagou a ele uma mesada de mais de 100.000 euros. Nogueira nega qualquer irregularidade. Vorcaro o chamava de ‘grande amigo’ nas mensagens. Nas mensagens a Flávio, ele preferiu o termo ‘grande irmão’”, conclui o artigo do jornal britânico.