Rafael Menin, CEO da MRV, avaliou positivamente o momento da construção civil, setor que aponta como peça fundamental para impulsionar o crescimento, gerar empregos e ampliar investimentos em infraestrutura e habitação.
“O nosso setor, a nossa indústria, passa por um momento muito interessante no Brasil”, afirmou em entrevista exclusiva à CNN Brasil durante a Brazil Week, realizada em Nova York.
Menin destaca ainda que o segmento econômico conta com um funding assegurado pelo FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço), que tem propiciado um orçamento robusto e crescente nos últimos anos.
O executivo ressaltou também iniciativas nas esferas municipal e estadual que potencializam ainda mais o segmento.
Resultado do primeiro trimestre
O braço de incorporação da MRV encerrou o primeiro trimestre com lucro líquido de R$ 133 milhões, uma alta de 640% em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Para Rafael Menin, o desempenho reflete tanto as condições favoráveis de compra para os clientes do segmento econômico quanto avanços internos da companhia.
“A empresa vem passando por importantes avanços no que diz respeito a ganho de eficiência e a uma precificação correta”, explicou.
Ele classificou o resultado como um primeiro indicativo de um ano altamente positivo, com perspectivas otimistas para os trimestres seguintes.
Impacto dos juros elevados
Questionado sobre o impacto da taxa de juros acima de 14% ao ano, Menin reconheceu que o cenário afeta toda a economia.
“Esses juros elevados vão contaminando a economia, as famílias, as empresas e o mercado como um todo. Ninguém está imune”, declarou.
Ele citou ainda que cerca de 90 milhões de brasileiros estão negativados, classificando o número como dramático. No entanto, ponderou que o segmento econômico possui uma característica peculiar: o financiamento via FGTS a taxas competitivas.
Nas faixas de renda mais baixas do Minha Casa Minha Vida, os juros partem de 4,5% mais TR, o que, segundo ele, tem mantido a dinâmica do mercado aquecida.
Preocupação com o uso do FGTS no Desenrola 2.0
Sobre a possibilidade de uso do FGTS para quitação de dívidas no âmbito do Desenrola 2.0, Menin demonstrou cautela.
Embora reconheça que a iniciativa pode aliviar o endividamento das famílias brasileiras, ele avalia que representa um desvio da função original do fundo.
“É algo que a gente vê com alguma preocupação, ainda que o fundo tenha uma boa saúde financeira”, afirmou, lembrando que o balanço do FGTS supera R$ 700 bilhões e que o orçamento anual destinado ao financiamento habitacional é de R$ 150 bilhões.
Perspectivas e tecnologia na construção
Ao falar sobre os planos futuros, Menin destacou que a demanda por habitação no Brasil está estruturalmente garantida pela formação de novas famílias — cerca de um milhão por ano —, enquanto o setor entrega aproximadamente 600 mil moradias anuais.
O déficit habitacional, agravado por condições inadequadas de moradia nas grandes cidades, representa, segundo ele, um mercado contratado para o futuro.
No campo tecnológico, Menin dividiu o negócio em duas vertentes: o “hardware”, representado pelo processo construtivo, e o “software”, relacionado à gestão.
Ele afirmou que a MRV já utiliza sistemas automatizados, os chamados RPAs, e que a inteligência artificial vem trazendo ganhos de eficiência tanto para a empresa quanto para os clientes.
Um dado ilustrativo: no momento do IPO da companhia, há 19 anos, eram necessários 12 operários para construir o equivalente a um apartamento por mês; atualmente, esse número caiu para 4,5.
Por fim, Menin surpreendeu ao afirmar que, em termos de produtividade na construção civil, o Brasil está à frente dos Estados Unidos, graças à maior padronização do processo construtivo no país.
Chairman da MRV&Co, o empresário Rubens Menin também é controlador do Inter, da Log Commercial Properties e presidente do Conselho da Itatiaia e da CNN Brasil.