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A Rússia está construindo uma relação de “parceria total e completa” com o Afeganistão, atualmente governado pelo Talibã, afirmou o secretário do Conselho de Segurança russo, Sergei Shoigu, nesta quinta-feira, 14. A declaração ocorreu na conferência da Organização de Cooperação de Xangai (OCX), onde a autoridade instou os demais países-membros a normalizarem suas relações com Cabul.

“Estamos consistentemente construindo uma parceria completa, que vai desde contatos políticos e de segurança, até cooperação comercial, econômica, cultural e humanitária”, disse Shoigu, em citação da agência de notícias estatal Tass.

Segundo ele, o Afeganistão tem méritos pela “luta armada feroz” contra a organização terrorista Estado Islâmico enquanto mais de 20 grupos militantes seguem ativos no país, com até 23 mil membros. Além disso, Shoigu afirmou que os países-membros da OCX, entre eles China, Irã e Paquistão, devem retomar seus diálogos com o governo do Talibã.

O secretário pediu que os Estados Unidos assumam “total responsabilidade” pela ocupação militar de 20 anos no território afegão, e que arquem com “a maior parte” da reconstrução da nação asiática. Shoigu também demonstrou oposição ao que descreveu como tentativas de estabelecer lá “uma presença militar estrangeira”.

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Embora tenha sido declarado um grupo terrorista e proibido na Rússia desde 2003, o Talibã viu seu status mudar ao longo dos últimos anos. Após assumir o controle do Afeganistão em 2021, diante da retirada das forças americanas do país, a organização passou a ser vista por Moscou como uma importante aliada na luta contra grupos radicais islâmicos, que já promoveram ataques dentro do território russo.

Tal cenário levou a Rússia a retirar o grupo da lista de organizações terroristas em abril de 2025 e, três meses depois, a ser o primeiro Estado a reconhecer oficialmente o Emirado Islâmico do Afeganistão, aceitando o embaixador afegão em Moscou. Embora as medidas não mudem o atual status de Cabul como pária internacional, especialistas apontam que pode iniciar um efeito dominó regional, levando a maior aceitação de países vizinhos na região.

“O reconhecimento oficial da Rússia fragmentou o consenso internacional sobre o regime. Essa ação provavelmente levará outros países a reconhecerem o regime”, aponta Rahul Roy-Chaudhury, do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS, na sigla em inglês).



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