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A Guarda Revolucionária Islâmica, exército ideológico do Irã, afirmou em comunicado divulgado à mídia estatal iraniana nesta quinta-feira, 14, que cerca de 30 navios cruzaram o Estreito de Ormuz com a permissão de Teerã desde a noite de quarta.
Segundo a agência de notícias iraniana Fars, o trânsito de navios da China pela rota foi retomado após um entendimento entre os dois países. Uma fonte informou à agência que a travessia foi possível uma vez que Pequim aceitou os protocolos de gestão iranianos e a rota designada por Teerã para a passagem.
A fonte acrescentou que diferentes países pactuaram o mesmo entendimento.
O anúncio das Forças Armadas iranianas não deu detalhes sobre a nacionalidade das embarcações que tiveram sua passagem autorizada, mas ocorre em meio à visita oficial do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e sua delegação a Pequim, a capital chinesa. Após seu primeiro encontro com Xi, um funcionário da Casa Branca afirmou à agência Reuters que os líderes concordaram que o estreito deveria permanecer aberto e que o Irã jamais deveria obter armas nucleares.
Além disso, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, disse acreditar que a China, que é uma aliada próxima do Irã e sua principal compradora de petróleo, “faria o que pudesse” para ajudar a abrir o estreito, o que, segundo ele, era “de grande interesse para eles”.
“Bloqueio ilegal”
O Irã intensificou o controle sobre o Estreito de Ormuz a partir de 28 de fevereiro, quando proibiu a passagem de embarcações ligadas a Israel e aos Estados Unidos, bem como daquelas aliadas aos países, após o início de ataques conjuntos contra o território iraniano.
Nesta quinta, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, voltou a afirmar que o Estreito de Ormuz está aberto a todas as embarcações comerciais, desde que cooperem com as forças navais iranianas para atravessar a nevrálgica rota por onde costumam passar 20% do petróleo e gás consumidos no planeta.
O chanceler disse ainda que não é Teerã que impõe obstáculos à navegação, mas os Estados Unidos, que destacaram sua Marinha há cerca de um mês para um bloqueio naval contra navios e portos do Irã, bem como a embarcações que façam escala em portos do país ou paguem o chamado “pedágio de Teerã”, estipulado em US$ 2 milhões.
Araghchi expressou a esperança de que a situação possa ser resolvida com a remoção do bloqueio americano “ilegal”.