O Brasil é um país seguro para investir e reúne condições para atrair capital de longo prazo, afirmou Lucas Kallas, presidente do conselho da Cedro Participações, em entrevista à CNN Brasil durante a Brazil Week, em Nova York.

Segundo Kallas, o país tem oportunidades relevantes em setores como mineração, logística, energia, agronegócio e infraestrutura.

Para o executivo, apesar dos desafios conhecidos, o ambiente brasileiro oferece segurança para empresários e investidores que conhecem o mercado local e mantêm visão de longo prazo.

“Brasil é seguro para investir”, disse Kallas à CNN Brasil, ao comentar a percepção de investidores estrangeiros sobre o país.

O executivo afirmou que o Brasil precisa ser apresentado ao mundo a partir de suas vantagens concretas: abundância de recursos naturais, matriz energética limpa, capacidade produtiva, mercado consumidor relevante e empresários preparados para competir em escala global.

 

Oportunidades no país

À frente do conselho da Cedro Participações, Kallas defendeu que o investidor estrangeiro deve olhar o Brasil além dos ruídos de curto prazo. Segundo ele, a combinação entre ativos estratégicos, demanda global por commodities e necessidade de cadeias produtivas mais sustentáveis cria uma janela favorável para o país.

A Cedro tem ampliado investimentos em mineração, logística e sustentabilidade. A companhia realiza uma expansão em Mariana (MG), com investimento estimado em R$ 3,5 bilhões, e tem como meta elevar sua capacidade produtiva para 10 milhões a 11 milhões de toneladas nos próximos três anos.

A empresa também projeta atingir mais de 20 milhões de toneladas de produção a partir de 2032, volume que a colocaria entre as maiores mineradoras do Brasil.

Para Kallas, projetos desse porte mostram que o país tem condições de receber investimentos relevantes quando há planejamento, governança e capacidade de execução.

“O Brasil tem tudo o que o mundo procura: recursos, energia, mercado e gente empreendedora”, afirmou.

Mineração sustentável

Kallas também destacou o papel da mineração no processo de transição energética. Na avaliação do executivo, o setor será essencial para atender à demanda global por insumos usados em infraestrutura, energia limpa, tecnologia e indústria.

A Cedro tem apostado no chamado minério verde, com foco em pellet feed de redução direta, produto que pode reduzir em 50% as emissões de carbono na siderurgia, segundo a companhia.

O presidente do conselho da Cedro afirmou que sustentabilidade deixou de ser um diferencial reputacional e passou a ser uma condição de competitividade.

Para ele, empresas que não incorporarem práticas ambientais, eficiência operacional e inovação tecnológica terão dificuldade para disputar mercados internacionais.

“O mundo vai exigir cada vez mais produção com menor impacto ambiental. O Brasil pode ser protagonista nessa agenda”, disse.

Logística e infraestrutura

Outro ponto destacado por Kallas foi a necessidade de ampliar investimentos em logística. A Cedro aposta em projetos para reduzir custos, melhorar o escoamento da produção e tornar sua operação mais eficiente.

Entre os projetos em andamento está a construção de uma TCLD, transportador de correia de longa distância elétrico, em Mariana. A estrutura deve retirar entre 4 mil e 5 mil carretas das rodovias.

Para o executivo, gargalos logísticos ainda limitam parte do potencial brasileiro, mas também representam oportunidades para investidores dispostos a financiar projetos de infraestrutura.

Kallas avalia que o país tem condições de avançar em ferrovias, portos, energia e transporte de carga, áreas fundamentais para elevar a produtividade e reduzir o custo de operação das empresas.

Visão de longo prazo

Na entrevista, Kallas afirmou que empresários não devem ser vistos como vilões, mas como agentes importantes para geração de emprego, renda e desenvolvimento. Para ele, o Brasil precisa valorizar quem investe, produz e assume riscos.

O executivo também defendeu previsibilidade regulatória e segurança jurídica como fatores essenciais para destravar novos projetos. Segundo ele, o investidor aceita lidar com ciclos econômicos, mas precisa de regras claras para tomar decisões de longo prazo.

“A gente não investe pensando em um ano. Investe pensando em décadas”, afirmou.

Para Kallas, a Brazil Week ajuda a mostrar aos investidores internacionais que o Brasil tem empresas sólidas, projetos estruturados e capacidade de competir globalmente.

O presidente do conselho da Cedro avalia que o país atravessa um momento de oportunidade, especialmente diante da reorganização das cadeias globais, da demanda por produtos de menor emissão e da busca por mercados confiáveis.

“Quem conhece o Brasil sabe que é um país de oportunidades. O que precisamos é mostrar isso com mais clareza ao mundo”, disse.



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