
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou nesta quarta-feira, 13, que Washington está fazendo progressos nas negociações com o Irã para encerrar as hostilidades no Oriente Médio. A declaração ocorre dias após o presidente Donald Trump rejeitar a mais recente proposta de paz apresentada por Teerã, classificando-a como “inaceitável”.
“Eu acho que estamos fazendo progresso. A questão fundamental é saber se estamos avançando o suficiente para satisfazer a linha vermelha do presidente”, disse Vance a jornalistas na Casa Branca.
Segundo o vice-presidente, a principal exigência do governo dos EUA é garantir que o Irã jamais consiga desenvolver uma arma nuclear. “A linha vermelha é muito simples. O presidente precisa sentir confiança de que colocamos uma série de proteções em prática para assegurar que o Irã nunca terá uma arma nuclear”, afirmou.
Trump, por sua vez, lançou uma série de ameaças ao regime iraniano na última semana. Na segunda 11, o republicano alertou que o cessar-fogo, implementado em 8 de abril, está “incrivelmente frágil”. Ele também afirmou que a liderança do regime iraniano é composta por “pessoas muito desonestas” que “mudaram de ideia” sobre a proposta de paz americana.
“E depois eles voltam querendo negociar, e nos apresentam uma proposta estúpida, que ninguém aceitaria — embora (Barack) Obama teria aceitado, (Joe) Biden teria aceitado”, continuou Trump, em crítica aos democratas.
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Sem paz
No domingo 10, o Irã enviou uma resposta com demandas aos EUA. Segundo o jornal americano The Wall Street Journal, Teerã propôs o fim da guerra em todas as frentes no Oriente Médio — o que inclui o Líbano, alvo de ataques recentes de Israel contra a milícia Hezbollah — e o envio de urânio enriquecido, usado na produção de armas nucleares, para a um terceiro país. Em caso de violação dos termos pelo governo americano, o componente crítico teria de ser devolvido. O Irã também rejeitou desmantelar instalações nucleares.
“Não exigimos nenhuma concessão. Exigimos apenas os direitos legítimos do Irã”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, em entrevista coletiva nesta segunda.
Baghaei informou que as exigências incluíam o fim do bloqueio naval dos Estados Unidos no Estreito de Ormuz — rota vital para o comércio internacional de petróleo bloqueada pelos iranianos desde o início da guerra, em 28 de fevereiro — e a “liberação dos ativos pertencentes ao povo iraniano, que há anos permanecem injustamente bloqueados em bancos estrangeiros”.
“Nosso pedido é legítimo: exigir o fim da guerra, o levantamento do bloqueio e da pirataria (dos EUA no canal) e a liberação dos ativos iranianos que foram injustamente congelados em bancos devido à pressão americana”, afirmou ele, criticando o que chamou de exigências “irracionais e unilaterais” dos EUA.