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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou à China nesta quarta-feira, 13, para uma visita cordial na aparência, mas tensa nas entranhas.
Ao sair do Air Force One, o avião presidencial americano, por volta das 19h50 locais (8h50 em Brasília), Trump foi escoltado por um tapete vermelho até a comitiva chinesa, sendo recebido pelo vice-presidente Han Zheng e por David Perdue, embaixador dos Estados Unidos em Pequim.
🚨 President Trump HALTED the motorcade so he could observe more of China’s welcome ceremony for him.
Trump was meet on the tarmac by the Chinese Vice President, and is now en route with Elon Musk and Nvidia CEO Jensen Huang to the hotel, as it’s 8:19pm local time
But knowing… pic.twitter.com/uLnuQrRTfL
— Nick Sortor (@nicksortor) May 13, 2026
Também o recepcionaram o embaixador chinês Xie Feng, o vice-ministro das Relações Exteriores Ma Zhaoxu, 300 jovens chineses, uma banda militar e a guarda de honra. A guarda marchou e se alinhou em ambos os lados da passarela no aeroporto, ladeada pela multidão jovem que agitava a bandeira da China e entoava canções.
Enquanto a banda tocava para a chegada cerimonial, o líder americano cumprimentou o público com um soco no ar e, em seguida, desceu as escadas do Air Force One. Acompanhando o presidente estavam seu terceiro filho, Eric Trump, e a esposa Lara, bem como o bilionário Elon Musk, o secretário de Estado, Marco Rubio, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth.
Trump se reunirá com seu homólogo chinês, Xi Jinping, em uma visita que ele espera ser frutífera, apesar das possíveis fricções por temas sensíveis como Taiwan e pelo conflito no Oriente Médio.
O republicano não quer que a batalha contra o Irã, país aliado da China, arruíne a recepção grandiosa que Xi lhe oferecerá na quinta e na sexta-feira. Depois de afirmar que conversaria “longamente” sobre a guerra, se contradisse: “Temos muitas coisas a discutir. E eu não diria que o Irã seja uma delas”, afirmou na terça-feira aos jornalistas que acompanharam sua partida da Casa Branca.
Trump, envolvido em um conflito muito mais longo e complexo do que previa com a República Islâmica, insistiu que não precisa da ajuda chinesa em relação ao Irã. Não é o que disseram funcionários de seu governo. Enquanto alguns afirmaram que, no encontro, haverá pressão sobre Xi para que reduza o apoio e as compras de petróleo iraniano sob sanções, o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, pediu que Pequim “intensifique seus esforços diplomáticos” – essencialmente solicitando ajuda do gigante asiático na guerra iniciada por Washington.
Esta é a primeira visita à China de um presidente dos Estados Unidos desde uma viagem de Trump durante seu primeiro mandato, em 2017.
O governo chinês deu oficialmente as boas-vindas ao presidente americano Donald Trump, poucas horas antes de sua chegada a Pequim.
“A China dá as boas-vindas ao presidente Trump em sua visita de Estado à China”, declarou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Guo Jiakun, em uma entrevista coletiva. “A China está disposta a colaborar com os Estados Unidos para ampliar a cooperação e administrar as diferenças”, acrescentou.
“Coisas boas”
Ao considerar que o governo de Xi não havia causado “problemas” diante do bloqueio naval imposto pelos Estados Unidos aos portos iranianos, Trump declarou sobre seu par chinês que “é alguém com quem nos damos bem”.
“Acho que ele verá que coisas boas vão acontecer”, acrescentou o presidente americano.
Por trás do otimismo de Trump, as duas principais potências mundiais travam uma competição feroz nos campos militar, diplomático, tecnológico e econômico.
“A cúpula parecerá cordial na superfície, mas, no plano tático, será uma partida de rúgbi em que cada parte vai querer levar vantagem”, explicou Melanie Hart, especialista em China do Atlantic Council.
As vendas de armas dos Estados Unidos para Taiwan, o controle das exportações de terras raras por parte da China e as tarifas alfandegárias são outros tantos temas de atrito.
Batalhão de CEOs
As relações econômicas entre Pequim e Washington continuam tensas, apesar da trégua comercial de um ano concluída em outubro, durante a última reunião dos dois presidentes na Coreia do Sul. A imprensa estatal chinesa informou nesta quarta-feira que uma nova rodada de negociações comerciais entre as duas potências já começou oficialmente na Coreia do Sul, sem revelar detalhes.
Diante da China, que registra um importante superávit comercial com os Estados Unidos, Trump espera conseguir grandes contratos e promessas de investimento. O presidente está acompanhado na viagem por um batalhão de executivos de empresas americanas, entre eles Elon Musk (Tesla), Tim Cook (Apple) e Kelly Ortberg (Boeing).
O presidente escreveu nas redes sociais, já a caminho da China, que pedirá a Xi a abertura do mercado do país para estas empresas americanas, para permitir que “estas pessoas brilhantes possam fazer sua mágica”.
O encontro dos presidentes das maiores potências econômicas mundiais acontece em um momento difícil para o republicano, que enfrenta a queda de popularidade e uma retomada da inflação nos Estados Unidos, alimentada pela guerra contra o Irã.
O encontro também é organizado em um momento incerto para a economia chinesa, confrontada com um consumo interno fraco e uma persistente crise de dívida no setor imobiliário.
A guerra contra o Irã, desencadeada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, provocou o adiamento da viagem, inicialmente programada para março. O conflito e o bloqueio do Estreito de Ormuz por parte do Irã complicam ainda mais a relação entre Washington e Pequim.
Temas nervosos
O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, pediu na terça-feira ao Paquistão, durante uma ligação a seu homólogo Ishaq Dar, que “intensifique” os esforços de mediação entre americanos e iranianos, informou a imprensa estatal. Ele também pediu a Islamabad que “contribua para abordar de forma adequada as questões relacionadas à abertura do Estreito de Ormuz”, cujo bloqueio limita o fornecimento de energia e mercadorias à China.
Trump tem tentado pôr fim às compras de petróleo iraniano por parte da China por meio de diversas sanções, medidas condenadas pelo governo de Pequim.
Outro importante motivo de discórdia para os dirigentes chineses é a assistência militar fornecida a Taiwan pelos Estados Unidos, um tema espinhoso que Trump se mostrou disposto a abordar com Xi Jinping.
A China considera a ilha de regime democrático e governo autônomo como parte de seu território. Pequim defende uma solução pacífica, mas se reserva o direito de recorrer à força com vistas à “reunificação”.