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O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, avalia que a nova pesquisa Genial/Quaest confirma uma melhora na percepção do governo Lula, mas vê esse movimento diretamente ligado à estratégia eleitoral do Planalto. Segundo ele, o governo já atua em uma “batalha de buscar a reeleição” e tem concentrado esforços especialmente no eleitorado de baixa renda, com medidas voltadas para ampliar renda, crédito e sensação de estabilidade econômica.
Aprovação à Lula cresce
Na leitura do economista, o avanço da aprovação presidencial não ocorreu por acaso. A pesquisa mostra alta de 3% na aprovação do governo e queda semelhante na desaprovação em relação ao levantamento anterior. Ao mesmo tempo, houve uma redução no número de brasileiros que acreditam que a economia piorou nos últimos 12 meses — índice que caiu de 50% para 46%. Para Agostini, o dado revela que o governo conseguiu interromper parte do desgaste econômico que vinha pressionando sua popularidade.
Encontro com Trump é aprovado por eleitor
Embora o programa Desenrola 2.0 tenha ajudado nesse movimento, Agostini considera que o encontro de Luiz Inácio Lula da Silva com Donald Trump teve peso ainda maior na melhora da percepção popular. Segundo ele, parte da sociedade observa a relação do Brasil com líderes internacionais como um termômetro de confiança econômica. A pesquisa reforça essa percepção: 43% dos entrevistados acreditam que Lula saiu politicamente mais forte após o encontro, contra 26% que avaliaram um enfraquecimento.
Desenrola e os efeitos na população
Sobre o Desenrola, o economista reconhece efeitos positivos de curto prazo. Para ele, o programa injeta recursos na economia ao aliviar dívidas das famílias e aumentar o consumo, criando uma sensação de melhora financeira imediata. A própria pesquisa aponta que 50% dos entrevistados consideram a iniciativa uma boa ideia para ajudar quem está endividado, enquanto 22% avaliam que o programa ajuda parcialmente. Ainda assim, Agostini alerta que o endividamento no Brasil é um problema estrutural e tende a reaparecer sem mudanças mais profundas na economia.
Melhora do humor
Na prática, a análise do economista sugere que o governo conseguiu combinar duas frentes importantes para recuperar imagem: o estímulo interno ao consumo e a exposição internacional positiva. Para Agostini, a “proximidade” e a “diplomacia externa” demonstradas no encontro com Trump ajudaram a transmitir uma percepção de maior solidez política e econômica, algo que costuma influenciar o humor do eleitorado mesmo antes de os efeitos reais chegarem ao bolso da população.