
O avanço dos data centers no Brasil depende de muito mais do que energia renovável e discurso sustentável. Essa foi a avaliação do designer estratégico e fundador da LOOOP, Igor Baliberdin, em entrevista ao programa Mercado de VEJA+. Ele defende que o país precisa investir rapidamente em infraestrutura e planejamento de longo prazo para se tornar competitivo nesse mercado global. Segundo Baliberdin, a expansão dessas estruturas exige uma rede de transmissão robusta, capaz de suportar o aumento expressivo do consumo energético sem comprometer a estabilidade do sistema elétrico nacional.
Baliberdin destacou que o Brasil já chama atenção internacional pela matriz energética limpa, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar esse potencial em atração concreta de investimentos. Para o especialista, investidores analisam países como empresas e buscam locais capazes de oferecer estrutura, previsibilidade e custos competitivos. Sem resolver gargalos tributários, logísticos e energéticos, o risco é o país continuar apenas no discurso enquanto concorrentes, como o Chile, avançam mais rapidamente na disputa por grandes projetos tecnológicos.
Na avaliação do fundador da LOOOP, o Brasil também precisa mudar a forma como enxerga seus próprios recursos naturais. Em vez de tratar energia, território e minerais apenas como commodities, o país deveria utilizar essas vantagens como parte estratégica de uma cadeia de valor mais sofisticada. A ideia, segundo ele, é transformar a abundância de recursos em diferencial competitivo capaz de atrair empresas globais interessadas não apenas em custo baixo, mas em um ambiente preparado para crescimento sustentável de longo prazo.