Israel intensificou os ataques à Faixa de Gaza após o cessar-fogo na guerra no Irã, implementado em 8 de abril, informou a agência de notícias Reuters nesta quarta-feira, 13. Ao menos 120 palestinos, incluindo 13 crianças, foram mortos desde então, um aumento de 20% em comparação às cinco semanas que antecederam a trégua.

Um relatório da ONG Armed Conflict Location & Event Data Project (ACLED, na sigla em inglês), que monitora o conflito, apontou que as tropas israelenses lançaram 35% mais ataques em abril em relação ao mês anterior. A nova ofensiva ocorre após militares advertirem o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, de que o Hamas estava se fortalecendo, afirmaram quatro oficiais à Reuters. O alerta, segundo as fontes, tinha como base relatos de que o grupo palestino radical vinha produzindo armas e reconstruindo sua força militar.

Os ataques configuram violações dos termos do cessar-fogo em Gaza, em vigor desde outubro do ano passado. Outro militar israelense indicou que a trégua possibilita ataques a supostas ameaças iminentes e que as forças de defesa do país estavam preparadas para a retomada do conflito, se for necessário. Todos falaram sob condição de anonimato. No momento, Israel ainda ocupa mais da metade do enclave. Estima-se que 850 palestinos tenham sido mortos desde o acordo.

+ Israel usa privação de água como arma contra palestinos em Gaza, denuncia MSF

Privação de água

No final de abril, a organização internacional Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou autoridades de Israel de utilizarem “a privação deliberada de água” como arma contra a população palestina na Faixa de Gaza. De acordo com o documento, a prática ocorre em paralelo à destruição de instalações de saúde, casas e à morte de civis, além de deslocamentos forçados em massa.

Continua após a publicidade

“As autoridades israelenses sabem que sem água a vida acaba, mas, mesmo assim, destruíram deliberada e sistematicamente a infraestrutura hídrica em Gaza, ao mesmo tempo em que bloqueiam consistentemente a entrada de suprimentos relacionados ao [abastecimento de] água”, alertou Claire San Filippo, coordenadora de emergência de MSF.

Segundo Filippo, “palestinos têm sido feridos e mortos simplesmente por tentarem ter acesso à água”. A privação “combinada com condições de vida precárias, superlotação extrema e um sistema de saúde colapsado, cria o cenário perfeito para a propagação de doenças”, acrescentou ela. A água é um direito humano básico e negá-lo viola o Direito Internacional Humanitário e as convenções de Genebra, constituindo um crime de guerra, de acordo com especialistas das Nações Unidas.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *