A ativista iraniana Narges Mohammadi corre o risco de sofrer “danos irreversíveis” se as autoridades continuarem atrasando o atendimento médico especializado a ela, afirmaram mais de 100 ganhadores do Prêmio Nobel em uma carta.
Ao todo, 113 signatários pediram a “libertação urgente e incondicional” e a “retirada de todas as acusações injustas” contra Mohammadi, de 54 anos, que recebeu o Prêmio Nobel em 2023 por sua “luta contra a opressão das mulheres no Irã”.
Recentemente, Mohammadi recebeu liberdade sob fiança e foi transferida para um hospital em Teerã.
Ela apresentou “grave perda de peso”, “pressão arterial instável” e “sintomas cardíacos graves” nos últimos dias, de acordo com um comunicado divulgado pelos laureados com o Nobel na terça-feira (12).
“A recusa desse atendimento a coloca em risco de danos irreversíveis”, acrescentou o comunicado.
Nesta quarta-feira (13), a Fundação Narges, administrada pela família de Mohammadi, informou que ela foi submetida a uma angiografia, um tipo de raio-X, para avaliar sua saúde cardíaca.
O exame indicou “deterioração e progressão significativas da doença vascular”, afirmou a fundação em um comunicado.
Mohammadi “deve permanecer em posição estável e em repouso absoluto no leito”.
Prisioneira política condecorada, Mohammadi passou décadas lutando pela liberdade de reunião no Irã. O regime iraniano a prendeu e deteve frequentemente.
Ela já foi condenada a mais de 44 anos de prisão e 154 chibatadas ao longo da vida, segundo a Fundação Narges.
*Jomana Karadsheh, Max Saltman e Catherine Nicholls, da CNN, contribuíram para esta reportagem