Ler Resumo

Uma forma mais sofisticada de avaliar os efeitos espaciais e ecológicos da perda de cobertura vegetal é calcular a fragmentação da vegetação.  O desmatamento tradicionalmente mede “quanto” de floresta foi removido. A fragmentação mede “como” a vegetação remanescente ficou distribuída na paisagem após essa remoção. Quanto maior a descontinuidade dessa cobertura, maiores os problemas. Uma nova medição do MapBiomas aponta que o número de áreas fragmentadas aumentou em mais de três vezes nos últimos quarenta anos. Isso significa que a vegetação nativa está mais exposta. 

O dado revela não apenas a perda de floresta, mas a ruptura da integridade ecológica da paisagem. Em muitos casos, um território parcialmente preservado, porém dividido em pequenos pedaços isolados, pode sofrer impactos ambientais mais graves do que uma área contínua de desmatamento. A descontinuidade da vegetação impede a circulação de animais, dificulta a dispersão de sementes e reduz o fluxo genético entre populações, tornando espécies mais vulneráveis ao isolamento e à extinção local. Também compromete a regulação hídrica e a estabilidade climática regional, alterando a umidade, a temperatura e os regimes de chuva. Além disso, florestas fragmentadas tornam-se mais suscetíveis a incêndios, secas extremas e ao chamado “efeito de borda”, no qual áreas antes protegidas passam a sofrer maior incidência de calor, vento e ressecamento. 

O tamanho dessas áreas fragmentadas também impactam na avaliação. “Quanto menor for a área, maior será a suscetibilidade à degradação”, ressalta Dhemerson Conciani, pesquisador do IPAM e coordenador do módulo de degradação do MapBiomas. O tamanho dos fragmentos de vegetação nativa tem relação direta com a quantidade e variedade da fauna e da flora presente. “Ela  aumenta  o risco de extinções locais dessas espécies.”Se em 1986 a área média de um fragmento era de 241 hectares, em 2023 esse número reduziu para 77 hectares, uma queda de 68% no período avaliado. Até 5% da vegetação nativa do Brasil (26,7 milhões de hectares) está em pequenos fragmentos, menores que 250 hectares, com destaque para a Mata Atlântica, onde essa condição atinge até 28% da vegetação nativa remanescente (10 milhões de hectares). 

Todos os biomas passaram por esse processo. O Pantanal e a Amazônia tiveram o maior aumento de área fragmentada, com 350% e 332%, respectivamente. Seguidos do Pampa com 285%, Cerrado com 172%, Caatinga com 90% e Mata Atlântica com 68%. 

medir a fragmentação da vegetação não é exatamente o mesmo que medir desmatamento. É uma forma mais sofisticada de avaliar os efeitos espaciais e ecológicos da perda de cobertura vegetal.

a primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a quantidade de fragmentos de vegetação nativa no Brasil: eles passaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. O crescimento de 163% em 38 anos sugere que a vegetação nativa no Brasil está mais exposta à degradação

Pela primeira vez, os pesquisadores do MapBiomas calcularam a quantidade de fragmentos de vegetação nativa no Brasil: eles passaram de 2,7 milhões em 1986 para 7,1 milhões em 2023. O crescimento de 163% em 38 anos sugere que a vegetação nativa no Brasil está mais exposta à degradação. Os dados inéditos são do módulo de Degradação do MapBiomas, recém-atualizado e disponível gratuitamente na plataforma 



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *