Há esperança na luta contra a violência e a misoginia. Se a Igreja cresce, o crime contra a mulher e a criança tem que diminuir, pregou a Pastora Helena Raquel, 47 anos, mãe de uma menina de 18 anos, recém adotada. Na semana passada, a pastora provocou a ira da maioria dos líderes evangélicos ao conclamar os fiéis a denunciarem pastores abusadores.

Com mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, Helena Raquel falou para 200 mil pessoas no maior evento do seguimento no Brasil. Com coragem, alertou para os abusos dentro das igrejas evangélicas. “Pare de orar por ele e comece a orar por você. Você precisa ter coragem para sair, denunciar e buscar um lugar seguro. E não acredite em pedidos de desculpa, porque quem agride, mata”.

Malafaia, no estilo Malafaia de espumar, foi à loucura. Gritou, esbravejou, ameaçou nas redes sociais, considerando que a pastora generalizou. Helena não recuou. Seu discurso não só viralizou, fez eco. Já há quem pregue a divulgação, durante os cultos, dos números dos “disque denúncia” 180 e 100, de proteção da mulher, crianças e adolescentes.

Líder da Assembleia de Deus Vida na Palavra, a pastora está há 30 anos em Queimados, cidade fluminense que, até 2016, ocupava o primeiro lugar entre os municípios mais violentos do País – hoje, está fora da lista das 20 cidades mais perigosas do Brasil. Nesses anos todos, Helena Raquel e o marido Eleomar Dionel, também pastor, bateram na mesma tecla. Não apenas em Queimados. A pastora se orgulha de pregar Brasil afora.

“Pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso. Abusador não é ungido. Não existe possibilidade de se encontrar na mesma figura um pastor e um abusador. Ou é pastor ou é abusador”. A pastora se incomoda com o silêncio da igreja e a omissão de líderes dos templos onde sabidamente ocorrem abusos.

VÍTIMAS RECORREM A PRÓPRIA IGREJA – A pastora que cutucou Malafaia com vara curta e apoquentou outros líderes religiosos, sabe do que está falando. Entre as mulheres evangélicas violentadas, 69% recorrem à igreja como primeiro apoio. Entre as católicas, o índice é de 48%.

A pesquisa “Visível e invisível: a vitimização das mulheres no Brasil”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indica: 43% das mulheres evangélicas já sofreram violência por “parceiro íntimo” ao longo da vida, enquanto entre mulheres católicas o índice chega a 35%. A pesquisa alerta para o “chamado controle coercitivo, caracterizado pelo isolamento, vigilância, e dominação psicológica” que atinge 49% das mulheres evangélicas.

Regime de controle psicológico severo não deixa marcas físicas, e dificulta a denúncia. É essa a provocação da pastora Helena Raquel. Escritora e conferencista, analisanda (“faço questão da terapia para encarar tudo isso”), ela promete fazer escola. Seu trabalho mais recente é o Pastoras do Brasil, voltado ao apoio de mulheres em posições de liderança religiosa. Farão diferença entre tantos homens misóginos, machistas e controladores.

DETERGENTE – Duro de acreditar na burrice dos seguidores de Bolsonaro. Burros, negacionistas, estúpidos, idiotas, ignorantes, imbecis, tolos, asnos, jumentos, jegues, broncos, parvos, palermas, patetas, ineptos e tapados. Com todos esses adjetivos, é compreensível um sujeito beber detergente para “protestar” contra uma medida sanitária.

Eles nem sabem quem autorizou a medida: Daniel Meireles. Pois então, é o diretor responsável pela suspensão da comercialização de vários produtos Ypê, foi indicado por Jair Bolsonaro e atuou junto com o governo de Tarcisio de Freitas na fiscalização da fábrica Química Amparo, no interior de SP. Antes da decisão da semana passada, a Anvisa já havia notificado a fábrica 239 vezes.

Se bebem detergente para provar seu antilulismo, do que serão capazes quando Lula vencer sua quarta eleição, em outubro próximo? Não é bom nem imaginar.



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