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Mais de 110 ganhadores do Nobel pediram nesta terça-feira, 12, a libertação imediata e incondicional de Narges Mohammadi, ativista iraniana laureada com o prêmio máximo da paz em 2023, depois que ela foi transferida para um hospital em Teerã na sequência de dias de pressão de familiares e apoiadores por atendimento médico fora da prisão.
Em uma declaração conjunta, 112 ganhadores do Nobel pediram às autoridades iranianas e à comunidade internacional que agissem “sem demora” para garantir a libertação de Mohammadi e seu acesso ao tratamento médico. Entre os signatários estão 26 ganhadores do prêmio de Química, 12 de Economia, cinco de Literatura, 29 de Medicina, 11 da Paz e 29 de Física, incluindo os autores Annie Ernaux e JM Coetzee.
“Especialistas médicos alertam que sua vida pode estar em risco iminente”, disseram eles sobre Mohammadi no comunicado, acrescentando que lhe foi negado atendimento médico especializado por meses enquanto ela estava presa.
Segundo a Fundação Narges, a ativista iraniana vinha sofrendo desmaios sucessivos enquanto permanecia detida na prisão de Zanjan, no noroeste do Irã.
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Mohammadi foi presa em dezembro de 2025, quando compareceu ao enterro do advogado Khosrow Alikordi, um notável defensor de presos políticos que foi encontrado morto de forma suspeita em seu escritório. Na ocasião, ela criticou as autoridades em Teerã, o que levou à sua nova detenção. Após receber uma sentença de sete anos e meio por “atentar contra a segurança nacional e fazer propaganda contra o regime”, a ativista foi transferida para a prisão de Zanjan, onde perdeu contato com a família.
A defesa de Mohammadi alega que a ativista sofreu dois ataques cardíacos durante sua estadia na prisão. O primeiro episódio ocorreu no dia 24 de março, quando ela foi encontrada inconsciente em sua cela, mas só teve acesso a atendimento médico padrão na enfermaria local. Um segundo infarto teria ocorrido no 1º de abril quando a vencedora do Nobel da Paz em 2023 foi transferida a um hospital próximo, onde permanece internada.
Aos 54 anos de idade, Mohammadi dedicou três décadas da vida para defender a igualdade e os direitos humanos das mulheres no Irã. Tal postura levou a ativista a ser repetidamente presa e julgada por campanhas que contrariam regras do regime, como a pena de morte e o uso obrigatório do hijab para mulheres. Antes de sua detenção, em dezembro, ela havia passado cerca de quatro anos na prisão de Tevin, sendo libertada somente por razões médicas.