
Ler Resumo
Fala, pessoas!
Outro dia recebi uma mensagem de uma leitora bastante irritada. Ela tinha entregado um relatório no trabalho e o gestor devolveu com uma correção circulada em vermelho:
— “Houveram vários problemas no processo.”
A leitora ficou indignada: “Professor, como assim está errado? Eram vários problemas! Por que não pode ir para o plural?”
A resposta é simples, mas vai contra o instinto de muita gente.
O “haver” de existência não vai para o plural nunca
Quando o verbo “haver” é usado com o sentido de “existir”, ele é impessoal. Isso significa que ele não tem sujeito e, portanto, não concorda com nada. Fica sempre no singular.
Errado:
- Haviam muitas pessoas na fila.
- Houveram vários erros no relatório.
- Haverão mudanças no contrato.
Certo:
- Havia muitas pessoas na fila.
- Houve vários erros no relatório.
- Haverá mudanças no contrato.
O teste do “existir”
Quer saber se o “haver” é impessoal na sua frase? Substitua por “existir”. Se a frase continuar fazendo sentido, o “haver” é impessoal e não vai para o plural.
Veja:
- “Havia muitas pessoas na fila.” → “Existiam muitas pessoas na fila.” ✔ Impessoal. Fica no singular.
- “Houve vários erros no relatório.” → “Existiram vários erros no relatório.” ✔ Impessoal. Fica no singular.
Funciona sempre.
E quando o “haver” vai para o plural?
Só quando ele não significa “existir”, ou seja, quando funciona como verbo auxiliar de tempo:
- “Eles já haviam chegado quando liguei.” (auxiliar → concorda com “eles”)
- “As notas já haviam sido lançadas.” (auxiliar → concorda com “as notas”)
Nesse caso, o “haver” acompanha outro verbo e aí sim concorda com o sujeito. Mas quando ele está sozinho indicando existência, é impessoal e fica no singular sempre.
Conclusão
O “haver” no sentido de existência é sempre singular, independentemente de quantas coisas ou pessoas aparecerem depois dele.
Da próxima vez que escrever “Houveram muitos candidatos”, faça o teste: substitua por “existiram”. Fez sentido? Então o certo é “Houve”.
Agora me conta: você já errou isso?
Nos vemos na próxima coluna.
Até mais!
Professor Noslen Borges
Revisão textual: Profª. Ma. Glaucia Dissenha