A denúncia levada à Presidência da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) sobre possível espionagem em computadores do órgão cita que houve monitoramento “do conteúdo trafegado pelos usuários da rede corporativa”, conforme apurou o Metrópoles.

O relato teria sido feito por servidores da CLDF, de forma anônima. A partir do fim do mês de março, segundo a denúncia, foi ativada uma funcionalidade suspeita conhecida como Deep Inspection. O mecanismo pode ampliar a capacidade de segurança interna, mas também possibilita a inspeção e monitoramento dos sites acessados na rede da Câmara Legislativa.

Segundo a denúncia levada ao presidente da CLDF, deputado distrital Wellington Luiz (MDB), “a funcionalidade teria sido implementada sem comunicação formal, sem deliberação do Comitê Gestor de Dados e sem ciência ou manifestação do encarregado de dados da CLDF”.

Deep Inspection: como teria ocorrido a “espionagem” na Câmara do DF - destaque galeria

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Robério Negreiros

Presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB)
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Presidente da CLDF, Wellington Luiz (MDB)

VINÍCIUS SCHMIDT/METRÓPOLES @vinicius.foto

Robério Negreiros
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Robério Negreiros

Michael Melo/Metrópoles

A execução do serviço tecnológico teria ocorrido sem a devida cobertura contratual, em “antecipação” ao processo licitatório que ainda estava em fase de instrução e tramitação, de acordo com o relato.

Uma outra inovação no sistema da Câmara Legislativa que teria chamado a atenção dos profissionais foi uma outra solução tecnológica que envolve “coleta contínua de telemetria, eventos de segurança, registros de autenticação, informações de ativos computacionais, tráfego de rede, logo de sistemas e outros dados operacionais potencialmente sensíveis, os quais podem ser processados, armazenados ou transmitidos para infraestrutura em nuvem vinculada ao fabricante ou a terceiros relacionados à prestação do serviço”.

Investigação

Nessa segunda-feira (11/5), o presidente da CLDF determinou a instauração de processo administrativo disciplinar para averiguar a ocorrência de possíveis ilícitos.

Wellington Luiz também assinou, a pedido do quarto-secretário da CLDF, Robério Negreiros (Podemos), o afastamento, por 60 dias, do diretor de Modernização e Inovação Digital, Walério Oliveira Campôres.

O chefe do Setor de Infraestrutura de Tecnologia da Informação, Pedro Cunha Celestin, foi exonerado do cargo.

“A gente tem poucas informações. Sendo eu presidente e policial, entendo que a gente tem que apurar para saber se de fato existe veracidade na denúncia. Vamos apurar com rigor, isenção e transparência”, disse o presidente da CLDF.

A coluna tentou contato com Walério Camporês e Pedro Cunha Celestin, mas não obteve retorno. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações.



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