
A Justiça do Rio de Janeiro vai realizar, na tarde desta segunda-feira, 11, a audiência de instrução do processo a que o rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam, responde por tentativa de homicídio contra policiais civis. Ele é filho de Marcinho VP, uma das principais lideranças da facção criminosa Comando Vermelho.
A audiência de instrução é uma das etapas mais importantes do processo judicial: é quando o juiz ouve as testemunhas e as partes. Depois dela, o caso fica pronto para ser julgado e ter seu veredicto final. É muito comum que, em determinados casos, quando o juiz já está suficientemente esclarecido sobre o caso, ele determine alegações finais e já dê a sentença em seguida.
O episódio que deu origem a esse processo foi em julho de 2025. Policiais civis foram até a residência de Oruam cumprir um mandado de apreensão de um adolescente suspeito de praticar ato infracional análogo ao tráfico de drogas. Ele estaria escondido na casa do músico. Os policiais foram recebidos com pedras de até 5 quilos, que poderiam tê-los matado.
Oruam chegou a ser preso, mas conseguiu no Superior Tribunal de Justiça (STJ) responder a esse e outros processos em liberdade, mediante uso de tornozeleira eletrônica. No entanto, foram registradas mais de 60 violações às regras do monitoramento — especialmente saídas em período noturno. Diante disso, a 3ª Vara Criminal do Rio de Janeiro determinou a volta de Oruam à prisão. No entanto, o rapper não foi localizado. Ele é considerado foragido da Justiça.
Em outros casos, o músico é investigado por supostos vínculos com o Comando Vermelho. Ele se tornou alvo de parlamentares conservadores entre 2024 e 2025, que apresentaram em várias cidades brasileiros projetos de lei “anti-Oruam”, que proibiam que shows dele e de outros artistas do funk fossem custeados com verbas públicas por causa de possíveis analogias ao crime feitas nas letras das músicas.