A relação econômica entre Brasil e Estados Unidos será o foco de um encontro promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) em Nova York, nos EUA, em meio às discussões sobre tarifas comerciais e à tentativa do Brasil de preservar uma parceria considerada estratégica para a indústria. O Brasil-U.S. Industry Day acontece nesta segunda-feira, 11, durante a Brazilian Week, e reunirá cerca de 500 empresários, investidores e autoridades brasileiras e americanas.

O evento ocorre poucos dias após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Na última quinta-feira, 7, Lula afirmou ter proposto ao americano um prazo de 30 dias para que equipes técnicas dos dois governos debatam as taxas impostas pelos EUA sobre produtos brasileiros e tentem chegar a um acordo. “Apenas no último ano, o Brasil registrou um déficit de US$ 14 bilhões na relação comercial com os Estados Unidos”, afirmou.

No ano passado, Trump impôs tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, uma das mais altas dadas a outros países. Em novembro, no entanto, o norte-americano retirou a sobretaxa de 40% de boa parte dos produtos. Uma decisão da Suprema Corte dos EUA também contribuiu para derrubar o restante das tarifas, mas produtos brasileiros ainda estão sujeitos a uma taxa de 10%, que termina em julho.

Os números apresentados pela CNI mostram que as exportações brasileiras destinadas ao mercado americano caíram 6,7% em 2025, totalizando US$ 37,7 bilhões. Segundo a entidade, a retração reflete, em grande parte, os efeitos das tarifas impostas pelo governo americano e o redesenho das cadeias globais de comércio. Ainda assim, os Estados Unidos permaneceram como principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação.

A indústria concentra mais de 80% das vendas brasileiras aos EUA, em uma relação marcada pela troca de bens de maior valor agregado e forte integração produtiva. Dados da CNI indicam que, a cada R$ 1 bilhão exportado para o mercado americano em 2024, foram gerados 24,3 mil empregos no Brasil, além de R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,2 bilhões em produção.

Continua após a publicidade

Mesmo diante da queda nas exportações, os Estados Unidos seguem como principal parceiro do Brasil em segmentos industriais estratégicos, serviços e investimentos bilaterais.

Segundo a Confederação, o encontro busca fortalecer a atuação do setor privado como instrumento de “diplomacia econômica empresarial”, em um momento de incerteza no comércio internacional e de tensão tarifária entre as duas economias. A entidade também defende o aprofundamento da cooperação bilateral em áreas como minerais críticos, inovação industrial e integração tecnológica.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *