Considerada a maior espécie entre as serpentes peçonhentas das Américas, a surucucu-pico-de-jaca da Mata Atlântica (Lachesis rhombeata) corre risco de desaparecer. Visando impedir a extinção do grupo, o Laboratório de Herpetologia do Instituto Butantan conseguiu que um casal do exemplar, Olinda (fêmea) e Sapoti (macho), acasalasse após uma estratégia incomum: separar ambos para que sentissem saudades. E a técnica deu certo.

Anteriormente, o casal vivia junto, mas não tinha muita interação. No entanto, o plano dos pesquisadores funcionou, e a fêmea deu à luz a seis filhotes, uma notícia positiva para a manutenção futura da espécie. O acasalamento ocorreu em 6 de junho do ano passado e as crias vieram ao mundo entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

A serpente está ameaçada de extinção e vulnerável devido à degradação da Mata Atlântica. É o que apontou a Portaria número 17 do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) divulgada em 5 de janeiro de 2026.

Cuidados após o acasalamento das serpentes e nomes inspirados na cultura pernambucana

Após a copulação, o cuidado foi redobrado com a fêmea, a fim de preservar a saúde e desenvolvimento dos filhotes. Isso porque, segundo o Butantan, a espécie tem tendência a se estressar durante o manejo e exames poderiam atrapalhar o processo reprodutivo. Como solução, os ultrassons de Olinda não foram mensais para deixá-la calma.

“Esperamos quatro meses para fazer o exame de ultrassom, a fim de evitar qualquer estresse da Olinda com o manejo. Quando vimos que tinha fecundado, foi uma alegria imensa”, diz a médica veterinária e pesquisadora do Instituto Butantan, Kathleen Grego, em comunicado.

Ao todo, o ultrassom identificou nove embriões, mas destes, apenas seis nasceram, sendo dois perdidos ainda nos ovos; um nascido com malformações genéticas; e outro morto após um mês de vida. Por outro lado, os cinco restantes estão saudáveis.

Na hora do batismo, a criatividade falou mais alto. As fêmeas foram batizadas como Sebastiana, em homenagem a personagem do filme “O Agente Secreto”; Pitomba, um fruta típica de Pernambuco; e Frevioca, um transporte que leva orquestra de frevo pernambucana. 

Já os machos foram nomeados como Suassuna, em homenagem ao escritor pernambucano Ariano Suassuna; Grego e Timão, para homenagear a pesquisadora do Butantan, Kathleen Grego, e o antigo diretor do Laboratório de Herpetologia, Wilson Fernandes – Timão foi o que morreu um mês após nascer.

Atualmente, os filhotes sobreviventes continuam se desenvolvendo no Butantan. Eles já produzem veneno e possuem instinto de caça. O crescimento ajudará a conservar a espécie.

“Manter e reproduzir esses animais no Butantan e em outros institutos cria polos de preservação que garantem a manutenção da linhagem caso a população diminua drasticamente na natureza”, ressalta Kathleen.

Imagem mostra Frevioca, uma das fêmeas
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Imagem mostra Frevioca, uma das fêmeas

Divulgação/Instituto Butantan

Imagem mostra Grego, um dos machos
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Imagem mostra Grego, um dos machos

Divulgação/Instituto Butantan

Imagem mostra Sebastiana, uma das fêmeas
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Imagem mostra Sebastiana, uma das fêmeas

Divulgação/Instituto Butantan



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