Ao menos 33 pessoas morreram por hantavirose em Minas Gerais nos últimos 10 anos, segundo dados do Ministério da Saúde.

A morte mais recente foi confirmada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) neste domingo (10/5) e envolve um homem de 46 anos, morador de Carmo do Paranaíba, no Alto Paranaíba, que teve contato com roedores silvestres em uma lavoura de milho, e morreu em fevereiro. 

Dados do Ministério da Saúde, atualizados em 27 de abril, mostram que o estado registra casos da doença de forma recorrente desde 2013. Naquele ano, foram confirmados oito casos.

Em 2014, houve três registros; em 2015, cinco; em 2016, dez; em 2017, três; em 2018, três; em 2019, um; em 2020, dois; em 2021, um; em 2022, dois; em 2023, dois; em 2024, quatro; em 2025, quatro casos; e, até o momento, um caso em 2026.

Caso isolado

Segundo a SES-MG, o caso do homem de Carmo do Paranaíba não tem relação com o surto da doença registrado em um navio que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde.

Os sintomas dele começaram em 2 de fevereiro, com cefaleia (dor de cabeça). Quatro dias depois, o paciente procurou atendimento médico apresentando febre e dores musculares, nas articulações e na região lombar.

Amostras biológicas foram coletadas e encaminhadas à Fundação Ezequiel Dias (Funed), que confirmou sorologia IgM reagente para hantavírus. O paciente morreu em 8 de fevereiro.

No país

Até o fim da semana passada, o Ministério da Saúde confirmou sete ocorrências, enquanto a Secretaria de Estado da Saúde do Paraná divulgou um oitavo caso.

De acordo com levantamento feito pelo Metrópoles, foram registrados dois casos em Minas Gerais, dois no Rio Grande do Sul, dois no Paraná — sendo um confirmado pelo Ministério da Saúde e outro pela secretaria estadual —, um em Santa Catarina e um sem unidade da Federação identificada.

Apesar dos registros, o governo federal informou que o risco global de disseminação do hantavírus permanece baixo.

Em nota, o Ministério da Saúde informou que não há registro da circulação do genótipo Andes no Brasil, variante relacionada aos raros casos de transmissão interpessoal registrados na Argentina e no Chile e apontada como a cepa em circulação no navio.

Casos de hantavírus em cruzeiro

A confirmação dos casos ocorre em meio a um alerta internacional recente, após a Organização Mundial da Saúde (OMS) relatar mortes associadas ao vírus no cruzeiro MV Hondius, que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde. Ao menos três pessoas morreram durante a viagem.

O ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, afirmou, na última quarta-feira (6/5), que exames indicaram que a contaminação por hantavírus de um dos passageiros do cruzeiro MV Hondius ocorreu pela cepa Andes — a única com possibilidade de transmissão entre humanos.

Sobre a doença

De acordo com a SES-MG, a hantavirose é uma zoonose viral aguda que, no Brasil, se manifesta principalmente na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.

A infecção humana ocorre, na maioria das vezes, pela inalação de aerossóis formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados.

Segundo a pasta, na fase inicial os sintomas incluem febre, dores nas articulações, dor de cabeça, dor lombar e dor abdominal. Já na fase cardiopulmonar, podem ocorrer dificuldade para respirar, aceleração dos batimentos cardíacos, tosse seca e pressão baixa.

“Não existe tratamento específico para as infecções por hantavírus. As medidas terapêuticas são fundamentalmente de suporte, ministradas conforme cada caso por um profissional médico”, informou a secretaria.

A SES-MG também listou medidas de prevenção e controle. Confira:

  • Manter alimentos em recipientes fechados e à prova de roedores;
  • Dar destino adequado a entulhos;
  • Roçar o terreno ao redor da casa;
  • Não deixar rações de animais expostas;
  • Retirar diariamente as sobras de alimentos de animais domésticos;
  • Enterrar o lixo orgânico a, no mínimo, 30 metros das construções;
  • Limitar o plantio a uma distância mínima de 40 metros de edificações;
  • Ventilar bem ambientes fechados antes de entrar, como paióis, armazéns, galpões e depósitos em áreas rurais e de mata;
  • Umedecer o chão com água e sabão antes da limpeza, evitando varrer a seco em propriedades fechadas.
    Fonte: SES-MG



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