O empresário Marcus Buaiz, que lança o livro As 7 Leis da Conexão: Como conectar pessoas e impulsionar negócios de sucesso (Ed. Citadel) no dia 20 de maio conversou com a coluna GENTE sobre como é empreender no Brasil. Ele é um dos líederes do Grupo Buaiz, que atua em diversos segmentos. Após palestra no Gramado Summit, Marcus falou sobre o poder do networking e sua visão de negócios. 

O que gostaria de ter aprendido sobre empreendedorismo quando era mais jovem, mas só aprendeu na prática? Que a gente não deve personificar projetos. Quando a gente é jovem, acha que vai fazer as coisas sozinho. E com o tempo, aprende que não se faz nada sozinho. Na verdade, a gente precisa de pessoas para consolidar o que de fato deseja.

Foi difícil aprender isso? É difícil liderar projetos. Primeiro, liderar é um ato solitário, tomar decisões é um ato solitário. Agora, no momento em que você começa a querer mudar de posição, é preciso saber delegar. Porque você vai para a posição de conceito, não é mais executivo, e tem coisa que você vai olhar para o seu executivo e justificar ‘eu faria melhor que ele’. Você vai ter que aprender que aquele momento é para fazer e realizar (a ideia). Isso é um momento difícil, mas na hora que conseguir, você pode ter a diversificação que tenho hoje. Se eu não tivesse esse pensamento, não podia ter hoje dez negócios e participar desses dez conceitos.

Delegar significa também estar cercado de pessoas experientes, com confiança. Achar essas pessoas não é desafiador? Completamente,. Delegar significa se desprender do poder das decisões. Ao mesmo tempo que precisa aprender a se cercar de pessoas que, inclusive, são melhores que você. E quando digo melhores, são pessoas que te complementam, que sabem mais do que você. Eu sempre fui defensor disso. Às vezes, as pessoas que estão na posição de liderança têm vergonha em dizer que não sabem de algo, ou se sentem, dizendo isso, diminuídos diante de um time. Quando não entendo o assunto, digo que não entendo, e justamente por isso que trago especialistas que sabem mais do que eu para complementar. E a gente, unido, faz esse negócio dar certo.

Como não ser o chefe ‘malvadão’ numa empresa? Então, acho que o chefe, de fato, tem essa posição. O chefe é aquele cara que não tem o conhecimento necessário para liderar, e ele acaba sendo uma pessoa que manda as pessoas executarem com o poder da posição que está, ou no poder da força. O líder não, ele é aquele que se organiza diante de um processo de decisão. Ele traz as pessoas e dá o poder para essas pessoas decidirem, e faz as pessoas tomarem as decisões com compromisso daquilo, mas, ao mesmo tempo, com mérito. Sou defensor da meritocracia, e o chefe não é. O líder é.

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Qual é a sua visão em relação à escala 6×1? Olha, sou uma pessoa que tem uma visão política de centro. A esquerda tem uma visão importante sobre a questão do povo, a gente não pode negar que as pessoas não podem passar fome. É inadmissível viver em um país que as pessoas morrem de fome. Acho também que a direita tem uma visão sobre o liberalismo interessante, econômico. Eu sou muito de enxergar o meio do caminho de certas coisas. A gente tem um país muito incrível, com tanta oportunidade. Se puder unir um pouco o ideal de cada um, sai mais fortalecido do que em qualquer situação. Então, sou uma pessoa que gosta de debater pautas com todos os lados, e sempre pensando no Brasil. A gente tem perdido há muito tempo sobre quem está certo e errado.

Mas é a favor ou não da escala? Eu sou a favor do debate. A gente tem que chegar a uma conclusão junto do que é melhor e da melhor forma. A gente tem que pensar na saúde física e mental do trabalhador. Isso é inevitável, porque o profissional deve estar bem mentalmente e com a possibilidade de trabalhar, mas também viver a vida. As pessoas têm que ter o momento delas de ter o seu lazer, de cuidar de si próprios. Eu não discuto na minha vida uma reunião antes de cuidar de mim. Eu acordei hoje às seis horas da manhã para poder decolar às oito das e treinar para poder praticar atividade física… porque se não estiver bem, não vou conseguir ser um bom pai, marido, empreendedor ou amigo.

Qual é a maior lição do seu livro?  Que o meu maior motivo são os relacionamentos. As sete linhas da conexão falam do ponto que eu acho que é importante se conectar com as pessoas. Muitas vezes você se conectar de forma absolutamente genuína. As pessoas têm o erro de falar muito de networking, de ser networking estratégico. Eu nunca valorizei isso, sempre fiz muito mais, sempre servi mais do que fui servido por prazer e essas minhas conexões mudaram a minha vida do campo pessoal e profissional. O poder da conexão mudou a minha vida.

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Qual é o lado bom e o lado ruim de empreender no país? É um país com muito imposto. Você tem hoje uma linha, uma margem de rentabilidade no Brasil muito baixa. Então, tem um risco trabalhista, de mercado, economia… E cresceu esse movimento no Brasil de imposto. Então,  isso é uma revisão que a gente tem que refazer o quanto antes, porque a gente tem que olhar para os trabalhadores,  empreendedores, as lideranças. Quanto mais você prosperar, mais vai empregar. Quanto mais empregar, mais vai construir um país com propósito, cada vez melhor. Então, volto a dizer, a gente tem pautas boas dos dois lados. A gente tem que achar o meio do caminho e aqui tem um país perfeito.



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