
O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS) Tedros Adhanom Ghebreyesus divulgou uma carta voltada para a população de Tenerife, a maior do arquipélago espanhol das Canárias, para detalhar o plano de desembarque dos passageiros do cruzeiro MV Hondius, que registrou um surto da zoonose viral hantavírus. A doença, causada pela cepa andina — a única transmissível de pessoa a pessoa —, matou três pessoas e infectou oito dos 147 passageiros e tripulantes da embarcação que fazia o trajeto entre a Argentina e Cabo Verde.
Segundo Ghebreyesus, um especialista da OMS está a bordo da embarcação, que conta com suprimentos médicos para eventuais necessidades na viagem até a ilha. O plano, elaborado pelas autoridades espanholas, prevê o desembarque dos passageiros sem contato com a população local.
“Os passageiros serão desembarcados no porto industrial de Granadilla, longe de áreas residenciais, em veículos lacrados e vigiados, por um corredor totalmente isolado, e repatriados diretamente para seus países de origem”, detalhou. “Vocês não terão contato com eles, nem suas famílias”, garantiu.
A operação deve ser acompanhada por Ghebreyesus, que já está na Espanha. “Pretendo viajar para Tenerife para observar esta operação em primeira mão, para estar ao lado dos profissionais de saúde, da equipe portuária e dos funcionários públicos que a estão realizando, e para prestar minha homenagem pessoal a uma ilha que respondeu a uma situação difícil com dignidade, solidariedade e compaixão. Sua humanidade merece ser testemunhada, não apenas reconhecida à distância.”
A escolha de Tenerife para o desembarque levou em consideração critérios do Regulamento Sanitário Internacional, que prevê a identificação do porto mais próximo com capacidade médica e infraestrutura para acolher embarcações com situações de saúde que demandam atenção.
O diretor-geral da entidade reafirmou que o risco para saúde pública do hantavírus é baixo. “Isto não é outra covid”, destacou com intuito de tranquilizar os moradores da ilha.
Hantavírus
O hantavírus faz parte de um grupo de vírus de transmissão zoonótica, ou seja, por meio de animais, quando pessoas têm contato com urina, fezes ou saliva de roedores infectados.
A doença causada pela infecção, a síndrome cardiopulmonar por hantavírus, é rara, mas potencialmente grave e pode levar à morte.
Os principais sintomas são febre, sintomas gastrointestinais, rápida progressão para pneumonia, síndrome da angústia respiratória aguda e choque.