A Toyota do Japão prevê que os efeitos da guerra com o Irã lhe custarão cerca de US$ 4,3 bilhões neste ano fiscal, em um dos alertas mais significativos já feitos por uma empresa global sobre o impacto mais amplo do conflito.
A maior montadora de automóveis do mundo anunciou na sexta-feira (8) uma queda de quase 50% nos lucros trimestrais e afirmou que o lucro anual deverá cair um quinto no ano que acaba de começar, já que o aumento dos custos da guerra supera a crescente demanda por veículos híbridos.
A maior parte do prejuízo de 670 bilhões de ienes (US$ 4,3 bilhões) virá do aumento dos custos de materiais, e o restante, de atrasos nas entregas e menores volumes de vendas, disse Takanori Azuma, diretor do grupo de contabilidade da Toyota, em uma coletiva de imprensa.
O impacto da guerra com o Irã está sendo sentido em tudo, desde “custos de combustível, despesas de transporte e o custo da tinta e outros materiais usados nas fábricas de montagem de veículos”, disse Azuma.
A Toyota prevê que as vendas de veículos híbridos ultrapassem os 5 milhões de unidades pela primeira vez este ano, e seus resultados gerais evidenciam o impacto desproporcional da guerra com o Irã, já que o aumento dos preços da energia leva os consumidores a optarem por carros com maior eficiência energética, mas não o suficiente para compensar as pressões de custos subjacentes.
As estimativas da Toyota superaram as de muitas grandes empresas até o momento, incluindo companhias aéreas. Ao contrário de muitas empresas, a fabricante japonesa tem um ônus adicional, pois se comprometeu a absorver os aumentos de custos enfrentados por seus fornecedores do grupo.
O lucro operacional totalizou 569,4 bilhões de ienes nos três meses encerrados em 31 de março, ante 1,1 trilhão de ienes no mesmo período do ano anterior. Foi o menor lucro trimestral em mais de três anos.
Para o atual ano fiscal, a Toyota prevê um lucro operacional de 3 trilhões de ienes, bem abaixo da mediana de 4,59 trilhões de ienes em uma pesquisa da LSEG com 23 analistas. As ações da Toyota fecharam em queda de cerca de 2,2%, o menor valor desde meados de outubro.
CEO que busca cortes de custos
Os resultados foram os primeiros da Toyota sob a gestão do novo CEO, Kenta Kon, ex-diretor financeiro e ex-secretário do presidente Akio Toyoda, conhecido por manter os custos sob controle rigoroso.
Kon afirmou que a Toyota continuaria a identificar o desperdício “um por um” e enfatizou sua capacidade de gerar cerca de US$ 24 bilhões em lucro, apesar dos consideráveis desafios.
Kon enfrenta o desafio de conduzir a Toyota através do impacto das tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump, que custaram à empresa 1,4 trilhão de ienes no ano que acaba de terminar.
O recente aumento nos preços da energia agrava ainda mais a situação de um setor que já enfrenta dificuldades com as tarifas de Trump e a ascensão das montadoras chinesas.
O CEO da Volkswagen, Oliver Blume, afirmou esta semana que as tarifas representam um custo de 5 bilhões de euros (US$ 5,9 bilhões) por ano para o lucro operacional da montadora alemã.
A Toyota afirmou na semana passada que suas vendas no Oriente Médio caíram drasticamente em março, após interrupções nos embarques para a região.