Para muitos, a imagem de Tainá Müller, 43, está fortemente ligada às personagens de destaque na teledramaturgia brasileira. O que poucos recordam é que, antes dos sets de gravação, sua primeira formação foi no jornalismo.

Agora, em um movimento que descreve como um “voltar para casa”, ela assume o comando do tradicional Café Filosófico, da TV Cultura.

 

À CNN Brasil, a atriz conta que esse momento ocorreu de forma orgânica. “Eu nunca senti que a jornalista que habita em mim morreu. Sempre fui interessada em pessoas, sempre gostei de entrevistar e de filosofia”.

Para ela, o programa é a “combinação perfeita” para exercitar o lado entrevistadora, algo já sinalizado discretamente nas redes sociais.

Longe da postura de quem detém todas as respostas, Tainá encara o palco do Café como uma “estudante curiosa”. Segundo a artista, manter esse olhar é, acima de tudo, uma estratégia de vida.

“Enquanto nos movemos pela curiosidade, não envelhecemos. Quando você perde esse olhar de aprendiz, você enrijece e, no momento que você enrijece, você não evolui”.

Maturidade para admitir o desconhecimento

Citando Sócrates, ela reflete sobre como a maturidade lhe trouxe a liberdade de admitir o desconhecimento. “Na juventude, existia até uma falsa certeza de que eu já sabia de certas coisas. Quanto mais o tempo passa, só sei que nada sei”.

O processo de preparação, apelidado de “malhação do cérebro”, envolve estudos profundos e o suporte de consultoria especializada para cada novo tema.

Um dos grandes desafios dessa nova fase do programa — que já soma mais de duas décadas no ar — é democratizar o pensamento filosófico sem esvaziar sua densidade. Müller defende que a filosofia pertence ao dia a dia. “Ela nasceu na rua, com Sócrates, para debater temas existenciais e cotidianos das pessoas”, explica.

O novo formato busca justamente atrair um público renovado, mesclando a tradição das palestras com a agilidade da entrevista, em uma “grande experimentação para ver o que funciona sem perder a essência do Café”.

A provocação sobre o comportamento humano é o motor dos episódios. Recentemente, temas como o consumo e a inveja ganharam destaque. Sobre a necessidade de ostentar, a apresentadora analisa como isso se tornou a “cola cultural” da modernidade.

“Hoje em dia, com redes sociais, a gente vê que o combustível do sistema que a gente vive de consumo é a ostentação. É adoecedora, porque provoca a inveja”, pontua.

Sobre esse “afeto oculto”, ela destaca a coragem do programa em abordar o que ninguém quer admitir: “A inveja é um afeto que é pouco falado, um tabu quase. Todo mundo sente, todo mundo está à mercê de sentir, mas ninguém admite”.

Em outro episódio, a atração mergulha no universo da psicanálise, um dos temas favoritos da apresentadora mas que exige um fôlego extra. “Este eu achei mais denso, um mergulho muito fundo. Cada convidado é um portal de conhecimento, de profundidade, de densidade”.

O “Café Filosófico” vai ao ar todos os domingo, às 20h.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *