A Kepler Weber viu o enfraquecimento da demanda do produtor rural pressionar seus resultados no primeiro trimestre de 2026, em um ambiente marcado por juros elevados, crédito mais restritivo e margens mais apertadas no agronegócio. A companhia registrou lucro líquido de R$ 17,1 milhões entre janeiro e março, queda de 33% em relação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a receita líquida recuou 10,9%, para R$ 318,1 milhões. 

A margem Ebitda caiu de 14,8% para 10,6% no período, refletindo a menor diluição de custos diante da desaceleração do segmento de fazendas, ainda o principal mercado para a empresa. 

“O ano será melhor que o primeiro trimestre, mas será mais duro que 2025”, afirmou o presidente da companhia, Bernardo Nogueira, à CNN. Segundo ele, o cenário atual lembra o enfrentado pelo setor em 2016, quando os juros elevados comprometeram a rentabilidade das empresas ligadas ao agronegócio. 

“Tem que comparar 2026 a 2016, um mercado semelhante em circunstâncias de mercado”, disse o executivo. “Naquela ocasião, com juros de 13%, o Ebitda foi negativo. Hoje não vemos isso. Vemos Ebitda positivo, tentando dois dígitos.” 

A divisão de Fazendas, historicamente a mais rentável da companhia, respondeu por cerca de 33% do faturamento no trimestre, mas sofreu retração em meio à piora das condições financeiras do produtor rural. Segundo Nogueira, o aumento do custo dos insumos, especialmente fertilizantes, combinado a preços menos favoráveis das commodities, reduziu o apetite por investimentos. 

“Vimos um produtor se retraindo, com juros altos e margens apertadas”, afirmou. 

No release de resultados, a companhia destacou que o ambiente mais seletivo de crédito alongou os ciclos de decisão dos clientes e pressionou principalmente os investimentos dentro das propriedades rurais. 

Para compensar a desaceleração doméstica, a Kepler ampliou a participação dos negócios internacionais e das agroindústrias em sua receita. A divisão internacional cresceu 47,1% no trimestre e registrou o melhor primeiro trimestre da história da companhia em receita líquida e volume comercializado, impulsionada sobretudo por operações na Argentina e Venezuela. 

“Seguimos com Argentina e Venezuela. Trouxe margens mais apertadas, mas ajudou na diversificação da receita”, disse Nogueira. 

A vertical de Agroindústrias também avançou no período, com crescimento de 4,2% da receita, sustentada por projetos ligados à cadeia de biocombustíveis, processamento de grãos e moinhos de trigo. 

“O resto do ano será focado nas agroindústrias. Vemos demanda por biocombustíveis e moinhos de trigo, com projetos interessantes”, afirmou o executivo. 

Segundo a companhia, o crescimento dessas duas frentes ajudou a reduzir parcialmente os efeitos da retração nas fazendas e reforçou a estratégia de diversificação geográfica e de portfólio.  

Apesar da pressão operacional, a Kepler encerrou março com posição de caixa líquido positiva de R$ 56,6 milhões, ante R$ 1,3 milhão no fim de 2025. A companhia também destacou que a inadimplência permaneceu próxima de 1%, abaixo da média estimada para o agronegócio, entre 7% e 8%. 

“Estamos gerando caixa e vemos continuidade da empresa”, disse Nogueira. “A Kepler é uma empresa de 100 anos. Vamos segurar aqui, mas a empresa é incrível, excelente.” 

 



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