Relatório que será analisado pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) concluiu que a morte do ex-presidente Juscelino Kubitschek foi causada pela ditadura militar.
O entendimento rompe com a versão oficial consolidada ao longo das últimas décadas, segundo a qual JK teria morrido em um acidente de trânsito na Rodovia Presidente Dutra, em 1976.
O parecer ainda não é definitivo. O texto precisa passar por votação entre os integrantes da comissão para se tornar a posição oficial do órgão. A informação sobre o conteúdo do relatório foi divulgada pela Folha de S.Paulo.
A análise foi produzida pela historiadora Maria Cecília Adão, responsável pela relatoria do caso dentro da CEMDP. O material reúne mais de 5 mil páginas entre documentos e anexos, e vem sendo estudado pelos conselheiros desde abril.
Trajetória de JK
- Juscelino Kubitschek presidiu o país entre 1956 e 1961 e ficou conhecido pelo projeto de desenvolvimento econômico resumido no slogan “50 anos em 5”.
- Durante seu governo, foi construída Brasília, que passou a ser a capital federal.
- Depois de deixar o Palácio do Planalto, JK foi eleito senador.
- Com o golpe militar de 1964, teve os direitos políticos cassados.
A comissão informou que o processo de revisão do caso começou após um pedido apresentado por Gilberto Natalini, ex-presidente da Comissão da Verdade Municipal de São Paulo, e pelo jornalista Ivo Patarra. A solicitação foi feita depois da retomada das atividades da CEMDP.
Em nota, o colegiado afirmou que o relatório foi apresentado aos membros em reunião realizada no dia 1º de abril deste ano. Inicialmente, a votação estava prevista para ocorrer ainda em abril, mas acabou adiada para que os conselheiros tivessem mais tempo para examinar o conteúdo e para que os familiares de JK fossem informados sobre as conclusões.
Segundo a comissão, parte das informações usadas no parecer já era pública e constava em investigações anteriores conduzidas pelo Ministério Público Federal. Outros elementos reunidos durante o trabalho da CEMDP só devem ser divulgados após o encerramento da deliberação interna.
Reabertura do caso
A morte de JK ocorreu em agosto de 1976, durante uma viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro. O carro em que ele estava, dirigido por Geraldo Ribeiro, bateu na altura de Resende.
À época, as investigações apontaram que o automóvel atravessou a pista contrária e colidiu com um caminhão depois de um possível contato com um ônibus. O ex-presidente e o motorista morreram no local.
Desde então, o episódio passou a ser cercado por suspeitas de motivação política. As teorias ganharam força por causa do contexto da ditadura militar e da atuação da Operação Condor, articulação entre regimes autoritários da América do Sul para perseguir opositores políticos.
Em 2014, a Comissão Nacional da Verdade descartou indícios de assassinato e concluiu que não havia provas de envolvimento do regime militar na morte de JK.






