
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reuniu na quinta-feira, 7, com o seu homólogo americano, Donald Trump, na Casa Branca. O encontro foi elogiado pelo republicano, que definiu o petista como “dinâmico”. Logo após o encontro, o ocupante do Salão Oval também informou que os dois conversaram sobre “diversos temas, incluindo Comércio e, especificamente, Tarifas” e que a discussão foi “muito produtiva”. Mais tarde, voltou a elogiar Lula: “um bom homem” e “um cara inteligente”, nas palavras de Trump.
O encontro se estendeu por quase três horas, mais do que esperado. Em coletiva, Lula afirmou que pensa que a “relação com o Trump é uma relação sincera” e disse que tem “razões para acreditar que o Trump gosta do Brasil”. Ele também brincou: “Sabe aquela história de amor à primeira vista? Aquele negócio da química? Foi isso que aconteceu. E espero que continue assim.”
Não é a primeira vez que Trump fala positivamente sobre Lula. Em discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas, em setembro, o presidente dos EUA disse que os dois tiveram uma “química excelente”, acrescentando: “Nós não tivemos muito tempo para falar aqui, foram tipo, 20 segundos, ,as conversamos, tivemos uma boa conversa e combinamos de nos encontrar na semana que vem, se for do seu interesse. Ele parecia um homem muito legal, na verdade, ele gostava de mim, eu gostava dele. E eu só faço negócios com pessoas de quem gosto.”
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Os elogios na ONU ocorreram em meio a um clima de tensão entre Estados Unidos e Brasil. Em julho, o republicano anunciou tarifas de 50% sobre produtos brasileiros em retaliação à “caça às bruxas”, como definiu, ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) pelo envolvimento na trama golpista. Na ocasião, Trump também sancionou o ministro Alexandre de Moraes, do STF, através da Lei Magnitsky, usada para punir estrangeiros acusados de violações graves de direitos humanos ou de corrupção em larga escala.
Na época, Lula rebateu que era “inaceitável a interferência do governo norte-americano na Justiça brasileira”. A percepção de Trump sobre a “química excelente” foi, então, interpretada como um bom sinal por Brasília. Em dezembro, depois de um telefonema de 40 minutos, o mandatário da Casa Branca disse que teve uma “ótima conversa” com Lula, afirmando: “Gosto dele”. Dias depois, os EUA retiraram Moraes da lista de sanções. Ainda no final de 2025, o governo americano também recuou parcialmente nas tarifas, com exclusões de produtos taxados e imposição de uma tarifa temporária de 10%.
Na quinta, Lula anunciou que será formado um grupo de trabalho com representantes do comércio em agências federais do Brasil e dos Estados Unidos para chegar a um ponto de convergência que leve ao fim das sobretaxas sobre produtos que entram em solo americano. Ele destacou que a média de impostos cobrados de Washington na alfândega brasileira é de 2,7%, mas o governo Trump segue incomodado com as taxas que superam a média, e por isso mantém o “tarifaço”.