
A percepção de insegurança no ambiente digital e o aumento das fraudes financeiras estão mudando o comportamento dos brasileiros em relação aos bancos. Uma pesquisa realizada pelo Reclame AQUI mostra que 77% dos consumidores movimentaram dinheiro entre instituições financeiras nos últimos 60 dias em busca de ambientes considerados mais seguros.
O levantamento, realizado entre os dias 2 e 4 de março de 2026 com 2.073 pessoas de todo o país, aponta uma retomada da confiança nos bancos tradicionais. Segundo os dados, 65% dos entrevistados afirmam sentir que seu patrimônio está mais protegido em grandes bancos físicos, enquanto apenas 15% dizem confiar mais em bancos digitais e fintechs.
O estudo revela ainda uma mudança importante nas principais preocupações financeiras dos brasileiros. Pela primeira vez, o medo de golpes e fraudes digitais aparece à frente da inflação e até do risco de quebra de instituições financeiras. Cerca de 60% apontam ataques como invasões de conta e golpes via Pix como sua maior preocupação, enquanto 35% mencionam problemas de liquidez das instituições e 27% citam a inflação.
Além da busca por segurança, a pesquisa indica que a confiança se tornou um critério central na relação com o sistema financeiro. Quase metade dos entrevistados, 46%, afirma consultar a reputação das instituições antes de abrir uma conta ou realizar investimentos.
Os dados também mostram que muitos consumidores têm redistribuído recursos entre diferentes bancos. Entre aqueles que movimentaram dinheiro recentemente, 36% afirmaram apenas trocar recursos entre instituições do mesmo tipo, enquanto 25% migraram de bancos tradicionais para digitais e 18% fizeram o caminho contrário, saindo de fintechs em direção aos bancos físicos.
Outro ponto de destaque do levantamento é a mudança nas prioridades financeiras das famílias. Em meio ao cenário de instabilidade econômica, o pagamento da fatura do cartão de crédito passou a ocupar o topo das prioridades para 24% dos brasileiros, superando inclusive gastos com moradia, citados por 22%.
Segundo a pesquisa, o cartão passou a funcionar como uma espécie de extensão da renda mensal, especialmente para consumidores que dependem do limite disponível para manter despesas básicas e o consumo do dia a dia.
O estudo também traça um retrato da saúde financeira dos brasileiros. Apenas 32% afirmam conseguir manter as contas em dia e ainda guardar ou investir dinheiro, enquanto 38% dizem pagar as contas sem conseguir poupar. Outros 30% relatam algum nível de dificuldade financeira ou inadimplência.