
Os saques das cadernetas de poupança voltaram a superar os depósitos em abril, de acordo com o balanço mensal da poupança divulgado nesta sexta-feira, 8, pelo Banco Central. No mês passado, os brasileiros aplicaram 362,2 bilhões de reais nas cadernetas, ante um valor de 362,7 bilhões de reais em resgates, o que resultou em uma saída líquida de recursos 476,5 milhões de reais.
Como o valor total que seguiu depositado rendeu 6,3 bilhões de reais no mês, o saldo total da poupança aumento de 999,8 bilhões em março para 1,005 trilhão de reais em abril.
Este foi o quarto mês seguido em que a diferença entre saques e depósitos foi negativa. Dezembro, mês em que tradicionalmente as pessoas guardam mais dinheiro, havia sido o último mês em que esse resultado ficou positivo. Foi, porém, exceção.
Ao longo do ano de 2015 inteiro, só em três mês – maio e junho, além de dezembro – o valor poupado foi maior do que o resgatado. Considerado o período desde janeiro de 2023, a poupança contabiliza nove meses com o saldo das aplicações positivo e, nos outros 31, a conta foi negativa, ou seja, houve mais saques do que depósitos.
O processo contínuo de saques da poupança faz parte de uma tendência de mudança estrutural que já vem sendo identificada há algum tempo pelo Banco Central, que reflete o desinteresse crescente das pessoas por esse tipo de aplicação conforme outras opções de renda fixa que remuneram mais, como os CDBs e o Tesouro Direto, se popularizaram.
Com a Selic alta, essas aplicações, que acompanham a taxa de juros básica, ficam ainda mais atrativas – atualmente, a Selic está em 14,5% ao ano, enquanto a remuneração da poupança é fixa em 8,5%. O alto endividamento das famílias, que está em níveis recorde, também é outro fator que pode colaborar pela retirada dos recursos de reservas como a poupança, para complementar a renda corrente.