A despoluição dos rios Tietê e Pinheiros voltou ao centro da agenda ambiental paulista, em meio a dados recentes que apontam oscilações na qualidade da água. Em entrevista ao programa VEJA+Verde, a secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo (Semil), Natália Resende, defendeu que o enfrentamento do problema passa por investimentos robustos em saneamento, ampliação do monitoramento e ações integradas para atacar as principais fontes de poluição.
Segundo ela, o foco está na universalização da coleta e tratamento de esgoto até 2029, com 69 bilhões de reais já contratados. “54% da carga orgânica é reduzida com os investimentos já contratualizados”, afirma. A estratégia inclui ainda a ampliação da capacidade de tratamento e o combate à poluição difusa, além de obras de desassoreamento para melhorar o fluxo dos rios e mitigar enchentes.
Para além dos rios, a secretária destacou que a atuação da pasta se baseia na integração entre diferentes áreas — meio ambiente, energia, logística e saneamento — como forma de ampliar o impacto das políticas públicas. Esse modelo permite estruturar soluções de longo prazo diante de desafios complexos, especialmente os relacionados às mudanças climáticas e à infraestrutura.
Um dos exemplos dessa abordagem é o avanço da matriz energética limpa no estado. São Paulo já atingiu cerca de 59% de fontes renováveis, bem acima da média dos países da OCDE. O destaque vai para o biometano, cuja produção pode alcançar 6,4 milhões de metros cúbicos por dia. “É dizer que consigo abastecer metade da indústria de São Paulo com biocombustível”, ressalta Rezende, ao ressaltar o potencial do setor sucroenergético e dos resíduos sólidos.
A gestão de resíduos, aliás, é outro eixo prioritário. O estado produz entre 40 mil e 44 mil toneladas de lixo por dia, o que gera custos elevados e desafios logísticos para os municípios. Para enfrentar o problema, o governo lançou o programa Integra Resíduos, que busca regionalizar a destinação e viabilizar economicamente soluções como a produção de biogás e biometano, além de ampliar a reciclagem e a compostagem.
Na frente climática, a secretaria estruturou um plano de adaptação e resiliência com foco em temas como segurança hídrica, saúde, biodiversidade e infraestrutura. A criação de comitês intersecretariais e de um conselho com participação da sociedade civil busca garantir coordenação e transversalidade nas políticas. A intensificação de eventos extremos, como chuvas mais concentradas, também tem orientado mudanças em projetos de drenagem e obras viárias.
O saneamento básico aparece como uma das principais alavancas de transformação social e ambiental. Desde 2023, cerca de 3 milhões de pessoas passaram a ter acesso ao tratamento de esgoto no estado. “Isso representa 10 bilhões de litros de esgoto que deixaram de cair no Tietê”, diz a secretária. Os investimentos incluem ainda a ampliação do abastecimento de água em regiões historicamente deficitárias, como a Baixada Santista.
A agenda ambiental inclui iniciativas de restauração florestal, como o programa Refloresta SP, que alia preservação e geração de renda no campo. A meta de recuperar 37,5 mil hectares até 2025 deve ser superada, impulsionada por projetos com pequenos produtores. Rezende afirma que “é um ganha-ganha, social, econômico e ambiental”, ao citar casos de aumento de produtividade aliado à recomposição da vegetação nativa.
O VEJA+Verde, conduzido pelo editor Diogo Schelp, traz empresários, personalidades, gestores públicos e especialistas para apresentar suas visões e soluções sobre um dos maiores desafios para a sobrevivência da humanidade: conciliar desenvolvimento econômico e social com preservação do meio ambiente. O programa pode ser assistido toda quinta-feira, às 17h, nos canais Samsung TV Plus canal 2059, LG Channels canal 126, TCL Channel 10031 e Roku 221, além de estar disponível no YouTube de VEJA.