A defesa de Daniel Vorcaro, o ex-banqueiro do ex-Banco Master, entregou uma proposta de delação premiada.
Não são públicos ainda os detalhes do que está ali, mas esse escândalo reitera o que sempre se soube: que a corrupção é um mal profundamente arraigado em algumas das principais instituições do Estado brasileiro.
E, por isso mesmo, leva ao descrédito, perda de legitimidade e confiança, e ao profundo desânimo, em grande parte da população brasileira, de que as coisas possam ser diferentes enquanto o sistema continuar sendo o que se percebe que é.
Ou seja, instituições de poder voltadas para elas mesmas, ou tomadas de assalto por grupos políticos que as transformam em ferramentas na defesa de seus interesses particulares, regionais, corporativos, o que seja.
Mesmo sem delação, está fartamente documentado que a vida e obra de Vorcaro são um grande deboche, facilitado pela ausência de padrões de moralidade, não importa se falamos de setor público ou privado.
A novidade exposta agora no escândalo é a contaminação que abrange vasto espectro político e os Três Poderes.
Nesse sentido, a punição de eventuais culpados parece depender menos da delação e mais da investigação, ou seja, menos do arrependimento de criminosos interessados, sobretudo, em salvar ainda um pouco do que fraudaram, e muito mais do trabalho das instituições de Estado.
Elas têm uma boa chance de recuperar parte do descrédito e desconfiança. É só fazer o que tem de ser feito.