Ao lado de um elenco potente formado por nomes premiados em Hollywood, como Yahya Abdul-Mateen II, Bobby Cannavale e Alice Braga, o pernambucano Thomas Aquino estreou sua carreira internacional em grande estilo com a nova série da Netflix Homem em Chamas. Dono de um repertório extenso — que inclui Bacurau, DNA do Crime, Guerreiros do Sol e O Agente Secreto —, o brasileiro chamou a atenção de produtores norte-americanos e foi selecionado como um dos protagonistas da nova adaptação do livro homônimo de A. J. Quinnell. Em entrevista a VEJA, Thomas fala sobre os bastidores da produção internacional e reflete sobre expectativas para o futuro. Confira:

Como surgiu o convite para participar de Homem em Chamas? Foi através da produtora de elenco da série no Brasil. Ela me contatou pela minha agência, dizendo que tinha uma série internacional e que eu devia mandar o meu material para eles. Quando eu enviei o teste, eles gostaram tanto que quiseram me receber. Eu estava em São Paulo, mas quiseram me encontrar no Rio para ter uma conversa com o Kyle Killen, que é o produtor executivo e roteirista, o Stephen Caple Jr., produtor executivo e diretor dos dois primeiros episódios, e o Bernardo, que era o assistente geral de todo mundo. Eu acabei indo para o Rio e essa primeira reunião foi toda em inglês. Eu estava super nervoso, mas deu certo. Incialmente, eles me testaram para um outro personagem, mas depois da conversa quiseram que eu fizesse o teste para um dos principais, que é o antagonista da série. Então eu acabei fazendo e fui aprovado.

O que mais o atraiu no seu personagem? A princípio, foi o desafio de fazer uma coisa que não fosse brasileira. Apesar de o Brasil ser representado na série, não é da forma real como é, até porque essa é uma ficção baseada em um livro do A.J. Quinnell. Mas foi muito interessante interpretar um homem brasileiro com uma visão mais norte-americana de uma estrutura ficcional. Ele é um ministro da defesa que sabe lutar artes marciais, um ex-militar que é bom de tiro, ou seja, todo preparado para a ação. Eu tive uma demanda de treinamentos e de estudos para as ações físicas muito interessante. Eu já tinha feito uma preparação assim no Brasil para DNA do Crime, mas é diferente nesse outro tipo de produção. O que mais me chama a atenção nesse personagem são as facetas que ele tem e vai revelando ao longo da história. Ele é um cara que acredita muito no que fala, porque ele realmente é um patriota que tenta defender o Brasil das formas que ele acha corretas. Achei muito interessante tentar falar essa mentira de forma verdadeira —  ou a verdade de forma mentirosa. E fazer tudo isso em inglês também foi um desafio.

O ator Thomas Aquino no papel de Prado Soares na série 'Homem em Chamas', da Netflix
O ator Thomas Aquino no papel de Prado Soares na série ‘Homem em Chamas’, da Netflix (Juan Rosas/Divulgação/Netflix)

Qual a principal diferença entre participar de uma produção gringa em comparação às novelas brasileiras? Acho que a principal diferença é o raciocínio lógico e rápido que a gente tem. Eu, por enquanto, posso improvisar muito mais rápido na minha língua materna do que em inglês. Embora eu tenha treinado muito o inglês, continuo estudando e aprimorando essa língua na minha cabeça cada vez mais. Até porque eu tive uma preparação muito importante com a “dialect coach” do projeto, que é a Juliana Spínola, e até hoje ela ainda dá aulas para mim. Estou sempre treinando para poder aprimorar justamente as questões de improviso e de velocidade do pensamento, então ainda estou na tentativa de equalizar isso com o português.

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Como foi a experiência de participar de Homem em Chamas? Foi muito legal, principalmente por essa estrutura de montagem hollywoodiana, que eu sempre via em vídeos. Cada um tinha um trailer, no estilo daqueles carrinhos de camping, com o próprio nome escrito. Existe todo um cuidado por trás. Foi muito bacana ver como essa cultura é diferente da nossa, na forma de fazer e pensar. Tanto no México como nos Estados Unidos. Conhecer tantas pessoas foi incrível, acho que a parte principal do projeto. Pude me tornar um pouquinho mais amigo de Alice Braga, que eu admiro tanto. Ela estava lá e me ensinou muita coisa. Conheci o Vicente Amorim pessoalmente, que é um dos diretores do terceiro e quarto episódios. Nunca tinha trabalhado com ele, mas já era alguém que eu admirava bastante. Foi muito legal. O contato com as pessoas é o que me alimenta para fazer arte, então isso foi um grande diferencial quando eu cheguei lá. Conheci a cultura do México, andei pela Cidade do México e gravei uma série internacional lá, que fala sobre várias coisas interessantes.

Planeja investir em mais projetos fora do Brasil depois dessa experiência? Com certeza. Eu não quero deixar nunca de fazer coisas aqui no Brasil, obviamente, até porque eu amo muito os produtos que a gente tem aqui. E eu acho que estamos crescendo cada vez mais. Eu só espero que aumentem os investimentos nesses projetos locais. Tiro como exemplo um projeto de ação em que eu fiz, que é o DNA do Crime, da Netflix, em que a gente teve um aumento de verba para a segunda temporada. Isso já deu um grande “boom” na potência do que podemos fazer. Imagina se tivéssemos algo equiparado ao valor das séries hollywoodianas? Poderíamos ir muito além. Isso porque a gente já faz filmes belíssimos no Brasil, usando inclusive os dois últimos anos como referência. Ainda Estou Aqui e O Agente Secreto são grandes referências vitoriosas. Também tivemos Manas, O Último Azul e tantos outros filmes bonitos que foram representados nesses últimos circuitos de festivais. Mas sim, eu também tenho o sonho de conquistar o mundo. Por que não fazer séries e filmes europeus? Um filme francês ou uma série espanhola, talvez até inglesa. Por que não também filmes na Argentina? Eu espero que essa série tenha uma grande repercussão no Brasil e no mundo. Acho que as pessoas vão gostar bastante, porque ela vem trazendo uma contemporaneidade diferente em relação a outros Homem em Chamas que já existem.

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