
O Japão disparou nesta quarta-feira, 6, dois mísseis Type-88 e afundou um navio desativado da Marinha das Filipinas em águas voltadas para o Mar da China Meridional — uma ação que irritou Pequim. O lançamento faz parte de exercícios militares conjuntos com tropas dos Estados Unidos, Austrália e Filipinas. Contingentes da França, Nova Zelândia e Canadá também participam do treinamento.
A embarcação de guerra estava localizada entre as Filipinas e Taiwan, pequena nação insular que a China considera uma província rebelde e parte do seu território. A cena foi acompanhada de longe pelos ministros da Defesa de Tóquio e Manila em Ilocos Norte, uma província filipina a 400 quilômetros de Taiwan. A notícia não foi bem recebida pelo governo chinês, que não poupou críticas ao “agressor”.
“As forças de direita do Japão estão pressionando por um processo de ‘remilitarização’ acelerado ”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, que também alegou que Tóquio repetidamente ultrapassa limites através de sua política “exclusivamente voltada para a defesa”.
Lin também relembrou o histórico japonês de conflitos com países asiáticos e afirmou que “o antigo agressor não só deixou de refletir profundamente sobre os seus crimes históricos, como também enviou forças militares para o exterior e lançou mísseis ofensivos sob o pretexto da chamada ‘cooperação em segurança’”.
“Uma grave deficiência no ensino de história e erros fundamentais na perspectiva histórica, aliados a planos estratégicos de fortalecimento militar e preparação para a guerra, permitiram que o ‘neomilitarismo’ japonês ganhasse força e se tornasse um flagelo, ameaçando a paz e a estabilidade regional”, concluiu.
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Crise entre China e Japão
Por 19 dias, os exercícios conjuntos mobilizaram 17 mil militares na região. A iniciativa militar termina nesta sexta-feira, 8, e faz parte dos planos da primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, de endurecer as políticas de segurança do país. Ela chegou a citar a China como uma grande ameaça durante uma reunião com especialistas em 27 de abril.
Em novembro do ano passado, Takaichi provocou o mais sério conflito diplomático em anos com Pequim. Perante o Parlamento, ela declarou que, se um ataque chinês a Taiwan ameaçar o Japão, isso pode desencadear uma resposta militar de seu país. Na época, o Ministério das Relações Exteriores da China disse ter exigido que a premiê se retratasse durante a reunião, mas Tóquio descartou a possibilidade.
Em meio à crise, a embaixada do Japão em Pequim fez um alerta de segurança aos cidadãos, afirmando que devem respeitar os costumes locais enquanto estiverem em solo chinês e tomar cuidado ao interagir com locais. A orientação é que viajantes estejam atentos ao seu entorno quando estiverem ao ar livre, não fiquem sozinhos e tenham cautela extra ao acompanhar crianças.
A China, por sua vez, desaconselhou viagens ao Japão. Mais de 10 companhias aéreas chinesas, como Air China, China Eastern Airlines e China Southern Airlines, ofereceram reembolsos para voos com destino ao Japão até 31 de dezembro, enquanto a Sichuan Airlines cancelou os planos para a rota Chengdu-Sapporo até pelo menos março, informou a mídia estatal.
O governo de Xi Jinping também suspendeu importações de frutos do mar do Japão. A medida ocorreu meses depois de Pequim ter revogado parcialmente uma restrição anterior, emitida em 2023. Antes disso, o mercado chinês – incluindo Hong Kong – representava mais de um quinto das exportações japonesas. A imprensa japonesa informou que autoridades em Pequim teriam dito que a decisão estava relacionada à necessidade de monitorar melhor a qualidade da água, mas dado o contexto, foi interpretada como medida retaliatória.