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Depois de manter quase três horas de conversas com Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ter ficado “muito satisfeito” com o resultado das discussões sobre temas que descreveu como “tabus” com o homólogo americano, e anunciou a criação de diversos grupos de trabalho para cooperação e entendimento nas áreas de economia, exploração de minerais e combate ao crime organizado.
“Nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica do Brasil com os Estados Unidos. Já tinha dito na Malásia (encontro prévio entre os líderes) que esse laço é uma demonstração de que as maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo”, afirmou Lula.
De acordo com o mandatário brasileiro, que falou à imprensa na embaixada em Washington, onde está hospedado, após cancelar uma coletiva com Trump na Casa Branca, as duas comitivas discutiram “tabus” como a questão do combate ao crime organizado. O petista afirmou ter dito ao ocupante do Salão Oval que os Estados Unidos costumam manter uma abordagem demasiado militarizada sobre o tema, “tentando instalar bases militares dentro dos países”, quando seria preciso criar alternativas econômicas para as nações mais afetadas pelo narcotráfico.
“Temos que incentivar o plantio de outras coisas e sermos os compradores, para que as pessoas possam sobreviver. Disse para ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América do Sul, da América Latina, e até do mundo para criar um grupo forte de combate ao crime. O Brasil tem expertise. Não é hegemonia de um país só fazer isso”, declarou Lula.
Sobre a questão econômica, ele anunciou que será formado um grupo de trabalho com representantes do comércio em agências federais do Brasil e dos Estados Unidos para chegar a um ponto de convergência que leve ao fim das sobretaxas sobre produtos que entram em solo americano. Lula destacou que a média de impostos cobrados de Washington na alfândega brasileira é de 2,7%, mas o governo Trump segue incomodado com as taxas que superam a média, e por isso mantém o “tarifaço”.
“Criaremos um grupo de trabalho que, em 30 dias, apresentará uma proposta para batermos o martelo. Quem estiver errado vai ter que ceder”, afirmou. “Se não tiver uma meta, a gente faz reunião atrás de reunião e, enquanto o presidente tem prazo de validade, a máquina pública é eterna. As coisas têm que acontecer. Precisamos estabelecer planos de meta para que as pessoas cumpram, para colocar em execução.”
O mandatário brasileiro também abordou o tema das terras raras, que já esperava-se estar na pauta. Lula disse ter contado a Trump sobre o projeto de lei “extraordinário” aprovado pela Câmara na quarta-feira 6, que segue agora para o Senado, que trata a exploração de minerais críticos como uma questão de soberania, com objetivo de compartilhar o potencial do Brasil “com quem queira fazer investimentos”.
“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem veto ou assunto proibido. Só não abrimos mão da nossa democracia e da nossa soberania”, disse o petista. “Saio muito satisfeito, foi uma reunião importante”, acrescentou.
Lula contou ainda que fez o homólogo americano rir por diversas vezes durante a reunião (“o presidente Trump rindo é melhor do que ele de cara feia. É importante, alivia”), inclusive quando fez uma piada sobre a política de vistos dos Estados Unidos, enrijecida desde o início do mandato do republicano. “Ele perguntou sobre a Copa do Mundo, se a seleção brasileira está bem. Respondi: ‘Espero que você não venha anular um visto dos nossos jogadores, porque vamos vir aqui para vencer. Ele riu!”