A Latam Brasil anunciou a redução de 2% a 3% dos voos previstos para junho em razão do aumento expressivo nos custos do querosene de aviação, impulsionado pela guerra no Oriente Médio. O movimento não é isolado: companhias aéreas ao redor do mundo também têm adotado medidas semelhantes para tentar conter o impacto financeiro do encarecimento do combustível.
Segundo a analista de Economia Lucinda Pinto, o setor aéreo não dispõe de alternativas para enfrentar a situação. “Tem uma velha máxima no setor de aviação que diz que a última gota de petróleo vai ser queimada por uma turbina de avião. Essa frase demonstra essa situação,não existe um plano B para as companhias aéreas”, destacou Lucinda ao CNN Prime Time desta quarta-feira (6).
Ela lembrou que os combustíveis representam entre 40% e 45% dos custos totais das empresas aéreas e destacou que o custo do querosene para a Latam praticamente dobrou nos últimos três meses.
“É um cenário em que a empresa, para absorver esse custo sem repassar tudo para o consumidor, ela tem que fazer cortes em trechos que são menos rentáveis e menos demandados pelos seus clientes. É isso que está acontecendo”, afirmou a analista.
A Latam realiza um corte de aproximadamente 3% de suas linhas, enquanto a Lufthansa, companhia alemã, adotou uma medida ainda mais drástica, reduzindo 20% de seus voos. Empresas americanas, como a Delta, também já anunciaram reduções similares.
A analista alertou que, caso os preços do combustível não recuem, as companhias aéreas podem ampliar ainda mais os cortes. “As empresas já estão avisando que podem ser um pouco mais enfáticas nesse encolhimento”, disse Lucinda.
Apesar do cenário adverso, ela ressaltou que a demanda por passagens aéreas ainda não apresentou queda. A expectativa é de que um eventual acordo relacionado ao conflito no Oriente Médio possa suspender ou reverter as decisões de corte de voos previstas para junho.