A C&A surpreendeu o mercado ao registrar um lucro líquido ajustado de R$ 8 milhões no primeiro trimestre de 2026, resultado que representa um salto de mais de 218% na comparação com o mesmo período do ano anterior. Com o desempenho, as ações da varejista lideraram as altas do Ibovespa.

O Ebitda ajustado da companhia atingiu R$ 245 milhões, superando com folga as projeções dos analistas, que estimavam R$ 201 milhões. A receita líquida totalizou R$ 1,61 bilhão entre janeiro e março, com crescimento de 0,46% na comparação anual. Nas vendas de vestuário no conceito mesmas lojas, a alta foi de quase 5% no trimestre.

Queda no lucro líquido contábil e aumento de investimentos

O lucro líquido contábil, no entanto, recuou cerca de 59%, passando de pouco mais de R$ 4 milhões no primeiro trimestre do ano anterior para R$ 1,66 milhão.

Paulo Corrêa, CEO da C&A, explicou que a variação, embora expressiva em termos percentuais, representa um swing de aproximadamente R$ 5 milhões dentro de uma receita superior a R$ 1,6 bilhão.

“Na verdade, tem muito a ver com todos os investimentos que a gente vem fazendo para implementar a nossa estratégia”, afirmou.

Segundo ele, a companhia vem acelerando seu programa de abertura e reforma de lojas, além de investimentos em tecnologia e logística, o que eleva a depreciação e impacta a dinâmica do lucro líquido contábil.

Saída do segmento de eletrônicos e foco em moda

Paulo Corrêa também esclareceu o motivo pelo qual a receita líquida total apresentou crescimento tímido. Em 2025, a C&A encerrou a venda de celulares e eletrônicos, categoria que ainda integrava a base de comparação do ano anterior.

“A parte de celulares, na verdade, virou uma certa commodity. Muitas empresas, muitas lojas vendem exatamente os mesmos aparelhos”, disse.

A decisão estratégica foi motivada pelo desejo de concentrar esforços no que ele definiu como o núcleo da companhia: “a capacidade de inovar, de trazer o melhor da moda a preços acessíveis para os seus consumidores”. Em contrapartida, a categoria de beleza registrou crescimento de quase 20% no trimestre.

Destaques de desempenho por categoria

Entre as categorias que mais contribuíram para o lucro bruto — que se aproximou de R$ 1 bilhão —, Paulo Corrêa destacou o vestuário feminino, com ênfase especial para o segmento jeans

A categoria de beleza também foi apontada como relevante para a margem bruta e para o resultado final da companhia.

“Se eu fosse resumir, eu diria feminino, dentro do feminino, duas categorias muito mais proeminentes: o jeans e beleza”, resumiu.

Cartão próprio e dinâmica de contas a receber

A redução nas contas a receber — que caíram de R$ 1,75 bilhão para R$ 1,19 bilhão — foi atribuída ao cenário macroeconômico de juros elevados, e não a uma retração no uso do cartão próprio da rede, o C&A Pay.

Segundo Paulo Corrêa, o cartão teve expansão de penetração, respondendo por cerca de 28% das vendas da varejista.

“Todo mundo que tem o C&A Pay tem um ticket anual maior do que quem não tem”, afirmou, acrescentando que a frequência de compras desses consumidores também é superior.

Programa de recompra de ações e perspectivas para investidores

A C&A anunciou seu quarto programa de recompra de ações, com autorização para adquirir até 10 milhões de papéis ordinários — o equivalente a quase 5% das ações em circulação.

O programa tem vigência até novembro de 2027. Paulo Corrêa afirmou que o objetivo é “aumentar o lucro por ação”, conectando a iniciativa às expectativas dos investidores.

Ele também destacou que o ROIC (retorno sobre o capital investido) atingiu 20,8% nos últimos doze meses, quase dois pontos percentuais acima do registrado no ano anterior.

“O programa de recompra, para a gente, é uma clara leitura do mercado com a oportunidade que a gente tem de valorização e utilização melhor do nosso capital”, concluiu.



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