O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, recebeu nesta quarta-feira (6) representantes do governo italiano e da indústria cafeeira para discutir o fortalecimento das relações bilaterais no setor de café. O encontro reuniu o presidente da Illycaffè, Andrea Illy, e o embaixador da Itália no Brasil, Alessandro Cortese, com foco em comércio, cooperação técnica e desafios da cadeia produtiva.
Durante a reunião, o ministro destacou que a retomada e o fortalecimento das relações com parceiros estratégicos, como a Itália, estão entre as prioridades do governo. Segundo ele, a construção de acordos equilibrados deve considerar interesses mútuos, tanto na ampliação de mercados para produtos brasileiros quanto na entrada de produtos estrangeiros.
O embaixador italiano reforçou o momento favorável nas relações entre os países e citou o acordo entre Mercosul e União Europeia, em vigor desde 1º de maio, como um fator que pode impulsionar o comércio agrícola. A avaliação é que a parceria pode facilitar avanços em temas de interesse comum no setor.
Outro ponto abordado foi a proposta de transferência da sede da OIC (Organização Internacional do Café) para Roma. A iniciativa, segundo a diplomacia italiana, pode favorecer a integração com outras entidades internacionais, como a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura) e o FIDA (Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola), ampliando a convergência de agendas ligadas à sustentabilidade e ao desenvolvimento rural.
O presidente da Illycaffè ressaltou a importância do Brasil no cenário global, destacando o país como principal fornecedor de café arábica da empresa. Ele lembrou que o Brasil responde por mais de 40% da produção mundial, com destaque para Minas Gerais, e afirmou que a estratégia da companhia está centrada na qualidade e na compra direta de produtores.
Andrea Illy também destacou iniciativas da empresa no Brasil voltadas à agricultura regenerativa, capacitação de produtores e incentivo à qualidade. Segundo ele, programas contínuos de treinamento técnico e monitoramento ambiental buscam alinhar produtividade, sustentabilidade e remuneração diferenciada aos produtores.
No campo comercial, o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luís Rua, afirmou que o acordo Mercosul-UE deve ampliar oportunidades para empresas com atuação global, especialmente em segmentos como insumos, maquinários e cápsulas de café, com redução gradual de tarifas até 2034.
As mudanças climáticas também estiveram no centro das discussões. O governo brasileiro apresentou iniciativas como o Plano ABC+, voltado à agropecuária de baixa emissão de carbono, e o programa Caminho Verde Brasil, que prevê a recuperação de até 40 milhões de hectares de áreas degradadas, com foco na expansão sustentável da produção.
A cooperação internacional para transferência de tecnologia foi outro destaque do encontro. Representantes do ministério ressaltaram o papel da Embrapa na geração e disseminação de conhecimento, especialmente em práticas de agricultura sustentável. A avaliação é que há espaço para ampliar parcerias com organismos internacionais e levar tecnologias brasileiras a produtores de menor porte em outros países.
A reunião reforça o protagonismo do Brasil no mercado global de café e sinaliza uma agenda conjunta com a Itália voltada à inovação, sustentabilidade e ampliação do comércio no setor.