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O médico Marcelo Marques Costa foi preso em flagrante na terça-feira, 5, depois de atirar quatro vezes contra uma equipe da Polícia Militar de Santa Catarina (PM-SC) e atingir um servidor que cumpria mandados de prisão e busca e apreensão no âmbito da operação “Efeito Colateral”, que investiga esquema de falsificação de atestados médicos para ajudar na soltura de presos — maioria de organizações criminosas — que cumprem penas no regime fechado. “Ele recebeu atendimento imediato da equipe do Corpo de Bombeiros presente na ação e está em estado estável após encaminhamento para o hospital”, informou nota divulgada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC)

De acordo com investigações do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), o médico é apontado pelas autoridades públicas como integrante de um grupo que envolve ainda uma advogada, identificada como Amanda Letícia Moraes Cunha, para emissão de atestados falsos para beneficiar presos de Itajaí. A intenção seria tirar os detentos do regime fechado para o domiciliar. O espaço para manifestação das defesas dos investigados está aberta. 

“A investigação, conduzida pelo Ministério Público de Santa Catarina, indica que uma advogada atuava em conluio com o médico, para que fossem emitidos atestados médicos ideologicamente falsos, simulando comorbidades graves e inexistentes para fundamentar pedidos de liberdade ou prisão domiciliar. Também são alvos da operação ‘Efeito Colateral’ indivíduos que receberam os benefícios de prisão domiciliar e estão atualmente foragidos por justamente terem infringidos às regras imposta pelo Poder Judiciário”, diz trecho de nota da Promotoria. 

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Dinheiro apreendido durante a operação: 100 mil reais (MPSC/Divulgação)

Durante a operação foram apreendidos mais de 100 mil reais, três armas de fogos, 64 munições, 18 celulares e outros aparelhos eletrônicos. Além disso, diversos documentos que serão analisados na investigação também foram levados para análise. Ainda segundo o MP, as análises de evidências pelo Gaeco identificaram diversos arquivos contendo imagens de atestados médicos, exames e receituários, além de tratativas entre os investigados, cujo teor indica ajustes para a elaboração de diagnósticos médicos que acabariam sendo utilizados em processos judiciais para afastamento de apenados do sistema penitenciário.

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“As apurações do Gaeco identificaram que os apenados beneficiados pelo esquema investigado na sua maioria são lideranças criminosas que, uma vez em prisão domiciliar, frequentemente rompem a tornozeleira eletrônica e tornam-se foragidos, o que evidencia a potencial gravidade das condutas investigadas”, diz outro trecho da nota do MP. Foram cumpridos quatro mandados de prisão e 37 mandados de busca e apreensão em Camboriú, Itajaí, Balneário Camboriú, Barra Velha, Gaspar, Navegantes, Joinville, Itapema e Porto Belo, em Santa Catarina e Pinhais e Pontal do Paraná, no Estado do Paraná

Operação ‘Efeito Colateral’
A denominação da operação remete, em sentido metafórico, aos efeitos adversos decorrentes do uso indevido da atividade médica como instrumento para a prática de ilícitos. Assim como na área da saúde, em que efeitos colaterais representam consequências indesejadas de uma intervenção, a investigação revelou que a emissão fraudulenta de laudos e atestados gerava impactos negativos relevantes no sistema de justiça.



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