As investigações que resultaram na prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) no Rio de Janeiro, na manhã desta terça-feira (5), revelaram mensagens entre o parlamentar e aliados fazendo referência a ações violentas e de intimidação contra adversários.

A “Operação Unha e Carne”, que prendeu o deputado estadual, é a mesma ação que fez com que Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro), também fosse preso.

Segundo o documento da decisão, obtida pela CNN Brasil, proferida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), após observarem uma publicação em uma rede social criticando a atuação de Thiago como vereador em 2021, Rangel e um aliado trocaram mensagens sobre a situação.

No diálogo, Thiago afirma que daria “um jeito” no autor da publicação, quando também pede ao aliado para que descubra o endereço do alvo. Posteriormente, Rangel envia uma mensagem dizendo que mandaria “uma surpresa” para o autor, bem como ainda destaca que “depois de 12 tiros no portão o recado está dado”.

Em um segundo diálogo, recuperado pela Polícia Federal durante as investigações, Rangel e o aliado arquitetam o ataque a uma pessoa, a qual não foi identificada pelas autoridades. Leia:

Aliado: Vai se enforcar sozinho! Ta chegando a hora dele!

Thiago Rangel: […] Botei a mãozinha batendo palma, para ele estressar logo.

Aliado: Não vale a pena não. A gente tem que arrancar a cabeça dele, sem dar direito para ele, entendeu?

Na sequência, o parlamentar e o aliado continuam a conversa para esquematizar a estratégia para atacar a vítima. Em uma das mensagens, o aliado afirma à Thiago: “Ninguém vai matar ele, vai fazer nada. Ele vai tomar um ‘bote’ […] O moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele […] E aí ele vai ter que pedir para sair”, afirma o investigado.

Pouco depois, Rangel responde ao aliado: “Beleza, vamos arquitetar, orquestrar tudo. Porque esse cara aí, ‘tá’ impossível de suportar ele”, acrescentou o deputado.

Diante dos diálogos e das demais provas encontradas nas investigações, a decisão de Moraes aponta que os elementos dão indícios “da existência e da atuação atual de organização criminosa estruturada e estável, voltada à prática reiterada dos delitos de peculato (apropriação de bens públicos), corrupção ativa e corrupção passiva”.

Assim, as investigações ainda revelaram um modus operandi de divisão de tarefas, permanência no tempo e uso de cargos e estruturas públicas para facilitar as práticas ilícitas.

Investigações contra Thiago Rangel

Segundo a Polícia Federal, as investigações começaram após a análise de mídias apreendidas na primeira fase da ação. Na ocasião, o objetivo era reprimir o vazamento de informações sigilosas por parte de agentes públicos.

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As apurações revelaram um esquema de direcionamento das contratações realizadas por escolas estaduais vinculadas à Diretoria Regional Noroeste da Seeduc (Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro), classificada como uma “zona de influência politica do parlamentar que é alvo da operação de hoje (5)“, para empresas previamente selecionadas e vinculadas à organização criminosa investigada.

A PF ainda indicou que após receberem os recursos públicos, os sócios ou procuradores faziam saques. Posteriormente, realizavam depósitos ou transferências bancárias para empresas diretamente ligadas a membros do grupo.

As investigações apontam que os valores desviados eram misturados com recursos de origem lícita em contas bancárias de uma rede de postos de combustíveis administrada pelo líder da organização.

Posicionamentos

Em nota, a Alerj informou que está à disposição das instituições da República no que for necessário para colaborar no esclarecimento dos fatos. Além disso, afirmou que “reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes.”

Já a Secretaria de Estado de Educação disse que realiza uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção e reparo nas unidades da rede estadual.

“Entre as medidas que passaram a ser adotadas pela pasta está a definição de um teto de R$ 130 mil para intervenções classificadas como manutenção e pequenos reparos. A resolução é baseada nas diretrizes da Lei de Licitações 14.133. Quaisquer obras que ultrapassem esse limite passam a ser tratadas como intervenções de maior porte e passarão a ser executadas pela Empresa de Obras Públicas (Emop-RJ)”, afirmou a pasta.

Além disso, a secretaria informou que colabora com o Ministério Público, com o Tribunal de Contas do Estado e com os demais órgãos de controle.

Segundo a defesa do deputado Thiago Rangel, a notícia da operação realizada foi recebida com surpresa.

Veja nota na íntegra:

“A defesa do deputado Thiago Rangel recebeu com surpresa a notícia da operação realizada na data de hoje. Neste momento, está se inteirando dos fatos, do teor da investigação e das medidas eventualmente determinadas, reafirmando desde logo a plena confiança nas instituições e no devido processo legal. O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos. A defesa ressalta, por fim, que qualquer conclusão antecipada é indevida antes do conhecimento integral dos elementos que fundamentaram a medida.”



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