Figura controversa na história recente dos Estados Unidos e de Israel, Jonathan Pollard voltou ao centro do debate político ao anunciar sua intenção de disputar uma vaga no Knesset, o Parlamento israelense. Em entrevista ao Canal 13 (Reshet 13), uma das principais redes de televisão do país, o ex-espião defendeu medidas radicais para o futuro da Faixa de Gaza.

“Pessoalmente, prefiro a remoção forçada de todos os atuais residentes de Gaza, a anexação do território e seu repovoamento por nós”, afirmou.

Pollard diz ter decidido entrar para a política após o ataque do Hamas, em 7 de outubro de 2023, que deixou cerca de 1.200 mortos em Israel e desencadeou a guerra na região. “Até então, eu pensava que o abandono e a traição que sofri por parte do governo eram uma exceção. Depois de 7 de outubro, percebi que não era”, declarou, em crítica às falhas das autoridades israelenses na prevenção e na resposta ao ataque.

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De espião a figura política

A trajetória de Jonathan Pollard é marcada por controvérsias. Ele foi preso em 1985 por vender informações dos Estados Unidos a Israel. Segundo seus próprios relatos, o volume de documentos confidenciais entregues à inteligência israelense seria suficiente para encher uma sala inteira. Em troca, recebeu dinheiro e joias.

Após se declarar culpado em 1986, na tentativa de evitar prisão perpétua, acabou condenado a uma longa pena. Cumpriu 30 anos de prisão nos Estados Unidos e foi libertado em 2015, aos 61 anos.

Durante o encarceramento, o americano recebeu apoio público de lideranças de Tel Aviv, incluindo o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, e obteve cidadania israelense. Com o fim das restrições impostas pela liberdade condicional, mudou-se para Israel em 2020, onde foi recebido como herói.

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Críticas ao governo

Apesar do histórico de apoio, Pollard passou a criticar duramente o governo Netanyahu, chegando a afirmar que o país não está vencendo a guerra em Gaza. Segundo o Canal 13, ele pretende concorrer por um novo partido político, ao lado de Nissim Louk, pai de Shani Louk, jovem de 22 anos morta durante o ataque do Hamas em um festival de música próximo à fronteira com o enclave.

Ainda assim, Pollard adotou um tom ambíguo em relação ao atual premiê. Caso Netanyahu permaneça no poder após as próximas eleições, previstas para outubro, afirmou que “será necessário apoiá-lo”.



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