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Uma pregação da pastora Helena Raquel, da Assembleia de Deus Vida na Palavra (ADVIP), em Queimados, no Rio de Janeiro, viralizou nas redes sociais, gerou polêmica entre evangélicos e foi compartilhada por importantes expoentes da política, tanto da direita, como a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL-DF), quanto da esquerda, como os deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Pedro Campos (PSB-PE).
Enquanto discursava no congresso Gideões Missionários da Última Hora, um dos maiores eventos evangélicos do mundo, no último domingo, 3, Helena falou sobre violência contra a mulher, pedofilia e abuso de crianças, apontando que a igreja não pode ser um lugar que esconda e proteja agressores.
“A maior parte das pessoas que são vítimas, em igrejas evangélicas, de violência doméstica ou de violência sexual, elas são orientadas a não denunciar o culpado. O que eu estou dizendo é um saber empírico, como não há pesquisa, não há dados. Isso é um saber empírico. Porque eu tenho 47 anos de idade e nasci em um lar cristão. E me lembro perfeitamente de pessoas que diziam sobre alguém: ‘pelo amor de Deus, não fala, para não escandalizar. Empírico. Não tenho dados. Olho roxo… Ora para Jesus salvar. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar a tua vida da morte. Para de orar por ele hoje e comece a orar por você a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa com urgência ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Por último, não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride mata”, disse a pastora em determinado trecho da pregação (assista o vídeo abaixo).
Na publicação que ela fez no Instagram, a religiosa complementou a mensagem com outros pontos que já havia abordado no discurso. “Existe algo que a igreja não pode mais fazer: se omitir. Não existe unção que justifique abuso. Não existe chamado que autorize agressão. Se agride… Não representa Deus. ‘Ungido não é abusador. Ungido não é agressor.’ A verdade precisa ser dita com clareza: se é pastor, se é obreiro, se é membro [da igreja]… Mas fere, oprime e violenta isso não é autoridade espiritual. Isso é pecado. E pecado não se protege. Se confronta. Se você está vivendo ou presenciando isso, não se cale. O silêncio nunca foi a vontade de Deus. Denuncie. Ligue 100 [para casos de abuso infantil]. Ligue 180 [para casos de violência contra a mulher]. A igreja precisa voltar a ser lugar de cura, não de medo. E onde há verdade, há libertação”, escreveu a pastora.
Em outro momento, ela fala também sobre abuso infantil, informando a crianças que o número de telefone para denunciar agressores é o “cem”, além de incentivá-las a, quando estiverem sozinhas, discarem o número, caso estivessem passando por alguma situação criminosa, com toques indevidos de adultos em seus corpos, por exemplo.
O discurso viralizou rapidamente nas redes sociais e foi compartilhado por nomes de direita e de esquerda. A deputada Tabata Amaral, que sempre se afirma como uma parlamentar comprometida com a causa das mulheres, republicou um trecho da pregação e escreveu que era uma fala corajosa e necessária. Ela também se disse feliz por ver que mulheres de diferentes lados políticos estão, cada vez mais, se unindo contra a violência.
“Que corajosa e importante pregação da pastora Helena Raquel! Precisamos dar um basta na violência contra nós, mulheres. Fico muito feliz de ver cada vez mais de nós deixando diferenças de lado e se unindo nessa luta. É disso que precisamos para fazer o PL da Misoginia avançar no Congresso. Nessa semana, vamos instaurar o Grupo de Trabalho pra discutir o projeto e eu, como relatora, estou trabalhando muito pra que a gente vote essa pauta tão importante na Câmara ainda em junho. As mulheres brasileiras têm pressa. Estamos correndo contra o tempo pra dar uma resposta a elas e dar fim ao ciclo perverso da violência de gênero no nosso país”, escreveu a deputada.
O deputado Pedro Campos, do mesmo partido de Tabata e também seu cunhado, também compartilhou um trecho da pregação nas redes sociais e escreveu que “nenhuma fé pode ser usada para silenciar a violência”.
Já a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que é tida como uma das figuras evangélicas mais importantes da política nacional atualmente, compartilhou um segundo vídeo, da psicanalista clínica Angela Sirino comentando o discurso da pastora e fazendo críticas à polêmica gerada entre evangélicos. “Não foi a fala da Pastora Helena Raquel no Congresso Gideões 2026 que chocou. Foi o que ela revelou. Quando a denúncia incomoda mais do que o erro, algo está fora do lugar. Fé não acoberta. Fé confronta. E a pergunta é: o que incomodou tanto?”, questionou Sirino (veja abaixo).