Uma das descobertas da Polícia Federal na investigação que prendeu o deputado estadual Thiago Rangel (Avante-RJ) foi a relação do parlamentar com Arídio Machado da Silva Júnior, conhecido como “Júnior do Beco”, descrito no inquérito como um “indivíduo de alta periculosidade e extensa ficha criminal”, incluindo condenações por homicídio e tráfico de drogas.

Segundo os investigadores, o deputado ofereceu a Júnior do Beco duas vagas de auxiliar de serviços gerais em órgãos públicos da área de educação para o traficante fazer indicações. Em nota, a defesa do deputado informou que está “se inteirando” do teor da investigação e que “qualquer conclusão antecipada é indevida”. “O deputado nega a prática de quaisquer ilícitos e prestará todos os esclarecimentos necessários nos autos da investigação, local próprio para a apuração dos fatos”, diz a manifestação.

A conexão de Thiago Rangel com o submundo do crime foi detectada a partir de mensagens trocadas pelo deputado com o chefe de gabinete, Fábio Pourbaix Azevedo, apontado pela Polícia Federal como operador de fraudes e “braço direito” do parlamentar. Fábio também foi preso nesta terça na nova fase da Operação Unha e Carne, investigação que atingiu anteriormente o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), por suspeita de vazar informações para favorecer o crime organizado.

Em uma troca de mensagens em 23 de junho de 2021, Fábio pede ao deputado que ele próprio entre em contato com o traficante, ou compartilhe o número de telefone dele, para completar a planilha de indicações. Em seguida, o parlamentar envia o contato salvo como Júnior do Beco e pede para o assessor procurá-lo. Thiago Rangel afirma que tem oito vagas de ASG (auxiliar de serviços gerais) disponíveis na educação e que duas delas seriam destinadas à cota pessoal do criminoso.

As conversas foram mencionadas no relatório da PF que pediu a prisão do deputado. Segundo o documento, o chefe de gabinete deu seguimento ao contato com Júnior do Beco. O traficante encaminhou dois nomes ao assessor e ainda pediu mais uma vaga, para a irmã. Dias depois, em 26 de junho, o criminoso volta atrás de uma das indicações, alegando ter tido um “desentendimento”, e destina o cargo a outra pessoa. No final das contas, segundo a PF, os cargos foram reservados para Gleice Maria Batista da Silva, irmão de Júnior, e para Ildilene Rangel, mulher de Gleyson Barbosa Paes da Silva, que entrou na mira da Polícia Federal na Operação Roncador, deflagrada em 2006 contra um esquema de tráfico de drogas em Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, berço político do deputado.

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Outros diálogos do deputado com seu chefe de gabinete foram destacados pela PF no relatório encaminhado ao Supremo Tribunal Federal. As conversas foram usadas para ilustrar a “periculosidade” do parlamentar. Em uma das mensagens, em setembro de 2021, Thiago Rangel ameaça dar “12 tiros no portão” de uma pessoa que estava fazendo críticas a ele no Facebook. “Vou dar jeito nele”, escreve.

Em outra conversa, em janeiro de 2022, os dois conversam sobre um novo atentado. “Vamos esquematizar, entendeu? Um bote. Ninguém vai matar
ele, vai fazer nada. Ele vai tomar um bote, tá? E esse bote o moleque vai bater na cara dele, vai dar tiro no carro dele”, escreve o assessor. O deputado concorda: “Vamos arquitetar, orquestrar tudo aí”.

A prisão preventiva de Thiago Rangel foi decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, a partir do pedido da PF e com o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). Em sua decisão, o ministro afirma que a medida é necessária para “resguardar a ordem pública e a conveniência da instrução criminal”.

A Alerj informou que está à disposição para colaborar no esclarecimento dos fatos. “A Assembleia Legislativa reforça seu compromisso com a transparência e confiança no trabalho dos órgãos competentes”, afirma a manifestação.



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