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Levantamentos divulgados pela Genial/Quaest na semana passada mostraram uma fotografia de como está a corrida eleitoral ao governo e ao Senado (serão duas vagas por unidade da federação) em dez dos maiores colégios eleitorais do país, faltando cinco meses para a votação.
Alguns nomes se destacaram positivamente, aparecendo em boas posições a essa altura da corrida ou tendo desempenho melhor do que era esperado no meio político. Por outro lado, outros apareceram com números muito aquém do que o esperado, decepcionando as suas bases eleitorais.
Confira alguns pré-candidatos cujos desempenhos estão longe da expectativa que havia em torno deles:
Romeu Zema (Novo)
O ex-governador de Minas Gerais não alavancou a sua candidatura presidencial apesar de ter investido pesado numa confrontação com o STF e na defesa de temas caros à direita — ficou com 3% na disputa do primeiro turno. Além disso, a sua aprovação como governador chegou a 52%, a menor taxa da série histórica do instituto. Para piorar, seu candidato à sucessão, Mateus Simões (PSD), não decolou nas pesquisas (veja abaixo).
Mateus Simões (PSD)
Sucessor de Romeu Zema (Novo) no comando de Minas Gerais, Simões segue patinando nas intenções de votos contra vários oponentes. Mesmo tendo o poder da máquina estadual nas mãos desde março, ele aparece com percentuais entre 3% e 5% em todos os cenários — enfrentando oponentes que passam de 15% e outros que chegam a quase 40%.
Elmano de Freitas (PT)
Governador do Ceará em primeiro mandato, Elmano corre alto risco de perder sua posição já em primeiro turno para o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), que tem nove pontos a mais que o mandatário. A situação é tão grave para os petistas que, nos bastidores, é cogitada uma retirada de cena de Elmano para dar lugar ao também ex-governador Camilo Santana (PT) — que, quando testado, se sai melhor numericamente que Ciro, mas empata tecnicamente no segundo turno.
Eduardo Leite (PSD)
O governador gaúcho, que não conseguiu se viabilizar como candidato à Presidência da República, como gostaria, enfrenta muita dificuldades na eleição estadual. Seu candidato ao governo, o vice Gabriel Souza (MDB), tem 6% das intenções de voto. A aprovação ao seu governo caiu de 58% em agosto de 2025 para 51%. Entre os eleitores, 49% acham que ele não merece eleger o seu sucessor, contra 39% que acham que sim.
Paulo Pimenta (PT)
O deputado federal, líder do governo na Câmara, teve grande espaço durante as enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul, quando tornou-se ministro extraordinário para a reconstrução do estado, seu reduto eleitoral, onde foi presença constante anunciando obras e programas para socorrer os atingidos pela tragédia. Apesar disso, tem apenas 9% das intenções de voto na pesquisa Genial/Quaest para o Senado.
Gleisi Hoffmann (PT)
A ex-ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais de Lula não conseguiu se destacar ainda na disputa por uma vaga no Senado pelo Paraná. Ela tem ficado sempre na quarta posição nos cenários em que foi testada, com apenas 10% a 11% das intenções de votos — mesmo tendo tido papel de destaque no mandato do presidente Lula e mesmo após ter sido a principal dirigente nacional do PT. Além disso, ela amarga a maior rejeição política do Paraná, atingindo o nível de 58%.
Guilherme Derrite (PP)
O ex-secretário de Segurança Pública Guilherme Derrite (PP), o ex-ministro Ricardo Salles (Novo) e o deputado estadual André do Prado (PL) não chegam nem a conquistar dois dígitos nas pesquisas, orbitando entre quinta e a sétima posição, com percentuais de 5% a 8%. Pior: aparecem atrás dos nomes apoiados pelo governo Lula na corrida: os ex-ministros Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França.
Para Murilo Hidalgo, Derrite, que comandou uma área estratégia para a direita, a segurança pública, era o nome de quem mais se esperava um resultado melhor. “A grande decepção é o Guilherme Derrite. Todo mundo esperava que fosse o grande nome em São Paulo, mas está patinando. A questão é que os nomes dos bolsonaristas ainda são muito desconhecidos. E as duas adversárias que estão bem em São Paulo já disputaram eleições majoritárias presidenciais, que são a Simone Tebet e a Marina Silva, isso é uma vantagem muito grande”, disse o diretor do Paraná Pesquisas.
Sandro Alex (PSD)
O ex-secretário de Infraestrutura do Paraná, que foi escolhido pelo governador Ratinho Jr. (PSD) para ser o seu nome na sucessão, é outro que se destaca negativamente no estado. Apesar da alta aprovação da gestão atual, com índices superiores a 80%, Alex aparece com apenas 5% das intenções de votos, em quarto colocado. Se o primeiro turno fosse hoje, ele estaria fora do jogo, que teria o senador Sergio Moro (PL) avançando ao segundo turno, com 35%, contra o deputado estadual Requião Filho (PDT), que tem 18%, ou o ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (MDB), que aparece com 15%.
Murilo Hidalgo, diretor do Paraná Pesquisas, avaliou para VEJA que o quadro esperado era outro. “O candidato do Ratinho Jr. ainda não decolou. Esperava-se mais por causa da alta aprovação do Ratinho Jr”, disse.
Douglas Ruas (PL)
Nome do Partido Liberal no Rio de Janeiro para a disputa ao governo do estado, o presidente da Assembleia Legislativa chega, no máximo, a 11% das intenções de voto no primeiro turno contra até 40% de Eduardo Paes (PSD). No segundo turno a situação fica ainda pior, com Ruas conseguindo atingir 16% enquanto Paes faz 49%. A decepção é maior porque o Rio de Janeiro é o reduto do clã Bolsonaro e foi governado por dois mandatos por Cláudio Castro (PL).
Celso Sabino (PDT)
O ex-ministro Celso Sabino (PDT) é mais um que esteve atuante no governo e não conseguiu colher frutos eleitorais até agora, patinando nas intenções de votos com apenas 6%, na quarta posição ao Senado pelo Pará. Sabino comprou briga com o seu antigo partido, o União Brasil, para ficar no governo Lula como chefe da pasta de Turismo, na esperança de que a relação com o petista alavancasse a sua candidatura ao Senado, o que não está acontecendo.