
Durante anos, Leandro Hassum, 52, construiu uma carreira sólida apostando em um humor popular, de fácil identificação e com forte apelo comercial. De fenômenos de bilheteria como Até que a Sorte nos Separe (2012) à presença por décadas em humorísticos da TV Globo, ele se firmou como um dos nomes mais reconhecíveis da comédia “pastelão” nacional. Nos últimos anos, ampliou esse alcance com projetos na Netflix, mantendo relevância e público.
No entanto, a guinada para o comando da Casa do Patrão, reality show criado por Boninho na Record, expõe uma mudança de rota que não se explica nem se sustenta. Longe do texto ensaiado, Hassum parece deslocado em um formato que exige domínio de situações imprevisíveis, o que têm lhe rendido muitas gafes ao vivo.
Os tropeços começaram na estreia, ao citar outra atração da emissora no encerramento. Dias depois, confundiu o “patrão” da semana com “líder”, termo associado ao reality da emissora concorrente. Em outro momento, afirmou que um participante estava fora da berlinda quando não estava.
A repetição de erros indica dificuldade em conduzir o ritmo do programa e em estabelecer autoridade como apresentador, criando momentos de constrangimento que só se acumulam. Há também um problema de expectativa. O público espera o humor que marcou sua trajetória, mas a linguagem nem sempre se encaixa no formato de “vida real”. Como resultado, a piada passa a recair sobre o próprio apresentador. Para ficar ruim, tem que melhorar muito.