
Decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), sobre a prisão do deputado estadual Thiago Rangel (Avante) revela que ele era um dos braços de um esquema creminoso muito maior liderado pelo ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) Rodrigo Bacellar (União Brasil). Rangel, que tem base eleitoral em Campos dos Goytacazes, mesma cidade de Bacellar – que já se encontrava preso -, comandava as fraudes na região Noroeste do estado. Ele foi preso pela PF nesta terça-feira, 5, dentro da Operação Unha e Carne.
A investigação da Polícia Federal afirma que o parlamentar, ex-vereador, reproduziu na estrutura do estado práticas de corrupção das quais já participava no Governo de Campos e na Câmara de Vereadores local. Ao se eleger deputado, ele aderiu, diz a PF, ao esquema de Bacellar e passou a gerir parte dele. “O esquema consistiria no direcionamento de obras de reformas em Escolas Públicas Estaduais do Norte Fluminense – região de influência política tanto de Rodrigo da Silva Bacellar quanto do Deputado Estadual Thiago Rangel Lima – para empresas pré-ajustadas com os integrantes da organização criminosa”. Em seguida, aponta a investigação, os recursos públicos eram desviados para membros do grupo. “Acredita-se que o esquema criminoso seja mais amplo e tenha sido estruturado em todo o Estado do Rio de Janeiro, com base no apoio político dado a Rodrigo Bacellar”, acrescenta a polícia, dizendo que no bojo da Operação Postos de Midas, de 2024, apenas parte do esquema foi revelado. As fraudes envolvendo Rangel seriam uma estratégia de Bacellar para “compra de apoio político”.
A PF ainda reforça que o esquema criminoso pode ter sido “partilhado entre políticos estaduais da base de apoio do ex-deputado estadual Rodrigo da Silva Bacellar, da qual o deputado estadual Thiago Rangel Lima passou a fazer parte”. A ex-secretária estadual de Educação Roberta Barreto era indicada por Bacellar, que teve seu mandato cassado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por conta do caso Ceperj. Na sua decisão, Moraes chama a atenção para um trecho do relatório da Operação Unha e Carne que destaca o poder de Bacellar e da Alerj sobre o governo do Rio enquanto o Legislativo estava sob o comando do político. “(…) sob a administração de Rodrigo Bacellar a Alerj potencializou sua influência na tomada de decisões que estariam inseridas no rol de prerrogativas do Governador do Estado, como por exemplo a nomeação dos Secretários de Fazenda, Assistência Social, Educação, Polícia Militar e, certa vez, Polícia Civil”.
A análise de computador de Bacellar apreendido na Alerj deu origem às investigações que levaram à prisão de Rangel. No sistema, a PF encontrou uma planilha que trataria da distribuição de cargos na estrutura do governo do estado.